sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Aspectos da abacaxicultura no Maranhão
No Maranhão, a produção de abacaxi é destacada por duas regiões produtoras. Uma delas, bastante conhecida, localiza-se no noroeste do estado,  no município de Turiaçu. Já a outra, na região mais central: em São Domingos do Maranhão. O estado é considerado o quarto maior produtor do Nordeste e o 11º do Brasil, segundo dados do IBGE, (2014). Porém, a grande maioria dessa produção deve-se ao município de São Domingos do Maranhão,  considerada hoje, o maior produtor do estado e responsável por inserir o Maranhão no mapa dos grandes produtores nacionais da cultura.
Há muitas diferenças entre os centros produtores do estado, a de maior relevância é o fato de São Domingos do Maranhão, ser o maior produtor de abacaxi cultivar (cv.) ‘Pérola’ (25 MI de frutos produzidos) e o município de Turiaçu produzir exclusivamente a  cv. ‘Turiaçu’ (4 MI de frutos produzidos). Do ponto de vista organoléptico (sabor e cheiro) e empírico, a principal diferença entre as cultivares é a “doçura” do abacaxi cv.
O ‘Turiaçu’ aparenta ser mais elevada que a da cv. ‘Pérola’. Para os consumidores e público em geral um é mais doce que o outro, porém, a explicação técnica e correta para este sabor acentuadamente mais doce, deve-se pincipalmente ao fato de a acidez presente no abacaxi cv. ‘Turiaçu’ ser a metade da presente na cv. ‘Pérola’, ou seja, não são os teores de açucares mais elevados, mas sim o teor de ácidos que por serem menores potencializam o sabor doce nos poros gustativos da língua, tal afirmação foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão em 2009.
Quanto à qualidade comercial independente da região produtora, o Maranhão possui potencial necessário para se tonar um dos maiores produtores de abacaxi do Brasil. Porém, há uma série de entraves que desaceleraram o desenvolvimento da cadeia produtiva de abacaxi no Estado, de modo que o desenvolvimento presente  surgiu da iniciativa pontual de produtores e algumas entidades isoladas que promoveram o fortalecimento de pequenos elos da cadeia produtiva em ambos os centros produtores.
Se levarmos em consideração a localização geográfica do Maranhão, o Porto do Itaqui e a distância aos grandes centros importadores, ou seja, a  Europa e América do Norte, o potencial exportador é inimaginável. Mas, para chegar a esse nível muito ainda tem de ser feito, de modo que o primeiro passo já foi dado, na região de São Domingos do Maranhão, onde o sistema FAEMA/SENAR está promovendo assistência técnica com apoio do Sindicato de Produtores Rurais, há sessenta  abacaxicultores, que estão recebendo assistência técnica e gerencial continuada, em que aos  produtores estão sendo repassadas  informações técnicas de  gerenciamento, com o objetivo das propriedades serem vistas e administradas como uma empresa, registrando todo o custo de produção e garantido a rentabilidade do negócio, que vai desde o planejamento do plantio, passando por todo cronograma de atividades/desembolso na área produtiva até a data exata de colheita.
A abacaxicultura no Maranhão em si não se desenvolveu aleatoriamente, trata-se de uma atividade agrícola de grande rentabilidade, pois na maioria dos casos no mínimo é possível dobrar o investimento inicial. Mas é preciso lembrar que o ciclo da cultura vai de 16 a 18 meses e requer dedicação e atenção do produtor.
Do ponto de vista social, a fruticultura é uma cadeia produtiva que gera muitos empregos, renda e movimenta a economia dos grandes centros onde está inserida, devido a grande quantidade de mão de obra exigida no manejo, assim sendo, fortalecer e apoiar este tipo de atividade garante o desenvolvimento social e econômico, e pode vir a ser a válvula de escape para refrear o assistencialismo que se tornou cultural no nosso país.

#Rozalino Aguiar – É  Eng. Agronômo, MSc em Agroecologia e Supervisor técnico de Assistência técnica e gerencial do Senar-MA
Os temores do campo
O ano de 2015 se encerrou com as mesmas notícias com que já estamos ficando acostumados: a economia retraiu-se, a inflação elevou-se, a indústria encolheu e o desemprego aumentou. Nesse cenário desalentador, só a agropecuária seguiu crescendo, produzindo mais, exportando mais e gerando US$ 80 bilhões de superávit. Se as previsões dos analistas econômicos se confirmarem, 2016 repetirá a mesma história. Será possível que, numa economia em crise generalizada, um setor isolado continue se expandindo sem ser afetado pelo ambiente ao seu redor?
Isso só seria possível se nosso setor de produção rural fosse uma espécie de enclave econômico, operando no território do País, mas com a produção voltada quase exclusivamente para os mercados externos. Exemplos dessa natureza podem ser encontrados em países produtores de petróleo ou outros minerais, cujas cadeias produtivas têm pouca integração com sua economia interna. O que se passa com a agricultura e a pecuária do Brasil é muito diferente.
Apesar de sermos hoje um dos três maiores fornecedores de alimentos para o mundo, com presença dominante numa lista de mercados que inclui a soja, café, suco de laranja, carnes bovina, suína e de frango, açúcar, algodão, tabaco, além de investidas promissoras em mercados como os de milho, frutas e lácteos, a verdade é que a produção rural brasileira é predominantemente voltada para o mercado interno.
Além disso, nossa estrutura de produção é altamente diversificada, produzindo centenas de produtos exclusivamente para o consumo nacional. A produção rural brasileira não é um enclave exportador, mas surgiu e cresceu para atender ao mercado interno e graças à sua produtividade e a seus custos competitivos exportou excedentes e conquistou os mercados mundiais.
Para que a agricultura e a pecuária do Brasil possam seguir crescendo é absolutamente necessário que o País supere a crise que está vivendo. Caso contrário, o setor também será arrastado para as dificuldades que hoje atingem tão duramente a indústria e o setor de serviços. Se o desemprego e o declínio da renda familiar se mantiverem por mais tempo, o resultado natural será a contração do mercado interno, com pressão sobre os preços, em atividades cujas margens de lucro já são muito estreitas na maioria dos casos.
A maior parte dos produtos da nossa agricultura é destinada exclusivamente ao mercado doméstico e não poderá compensar a retração das vendas externas com a exportação. Quanto aos outros produtos com tradição exportadora, o aumento dos saldos exportáveis poderá pressionar ainda mais os preços externos, que já estão em trajetória declinante faz algum tempo.
Um possível colapso de algumas atividades produtivas atingirá especialmente os produtores mais vulneráveis, desorganizando estruturas produtivas longamente construídas, com inevitáveis reflexos sociais. Como é uma atividade sazonal, dependente do curso das estações, a agropecuária tem pouca capacidade de adaptação aos ciclos econômicos.
Se a crise brasileira nos atemoriza quanto à demanda, a história não é menos assustadora em relação à oferta. A moderna agropecuária do País, que teve início nos anos 70 do século passado, é um empreendimento essencialmente privado. O Estado teve sua parte, em especial na produção do conhecimento científico e tecnológico, por meio da excelência singular de nossas universidades rurais e da experiência pioneira da Embrapa, bem como na montagem de um sistema eficiente de crédito rural.
Foi a iniciativa privada que transformou os campos do sul do Brasil e ocupou os vastos cerrados improdutivos que predominavam em grande parte de nosso território. Foi trabalho de pioneiros, portadores de experiência profissional na produção e capazes de empreender e assumir riscos tremendos. Povoaram grandes vazios, sem os confortos das cidades e sem a menor infraestrutura, numa aventura pessoal que merece justo registro na História moderna do Brasil.
A eficiência do setor privado excedeu, em muito, a competência do Estado brasileiro. Assim, os resultados de grande parte da produção são afetados pela carência quase absoluta de infraestrutura. Não temos rodovias, ferrovias, hidrovias ou portos para escoar a produção a custos minimamente razoáveis. Os custos logísticos recaem sobre o produtor e o consumidor doméstico.
Por mais que os produtores aumentem sua produtividade, com pesados investimentos dentro das fazendas, seus lucros estão cada vez menores e os preços aos consumidores são maiores do que poderiam ser. O Estado brasileiro encontra-se, há muito, em situação quase falimentar e não tem sequer uma fração dos recursos necessários aos investimentos que precisam ser feitos.
Esta é uma realidade que não podemos disfarçar com a retórica fútil das ideologias políticas. Só o setor privado pode construir e operar a infraestrutura que precisamos. Mas a incompetência dos órgãos estatais, capturados pela baixa política, e a aversão ideológica ao capitalismo e ao setor privado ou retêm mais encargos do que ele pode suportar ou impedem que os processos de concessão cheguem a termo.
Enquanto os preços externos estavam anormalmente elevados, todas as deficiências puderam ser ignoradas. Agora que a realidade bate à nossa porta, quem vai pagar o preço da imprevidência? Mais uma vez, não será o Estado abstrato, mas os produtores e consumidores, gente de carne e osso.
Até agora, a produção rural tem sobrevivido à crise geral do Estado e da economia brasileira. Infelizmente, nosso sentimento é que esta crise vai afetar a agricultura e a pecuária, se durar mais tempo. A paisagem política, porém, não nos deixa margem para muita esperança. O poder político, entre nós, parece aspirar apenas à sua própria sobrevivência, sem mais nenhum propósito de resolver os problemas verdadeiros do País e das pessoas. É o que nos dá razão de sobra para temer pelo futuro.
*Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
A rica produção do mel maranhense
O Maranhão possui condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da apicultura em razão da regularidade pluviométrica e pela diversificação da flora que constitui o pasto apícola  para as abelhas africanizadas, gerando renda de forma sustentável, socialmente justa, e ecologicamente correta.
Temos como divisas territoriais o estado do Pará, onde há o predomínio de  floresta amazônica e  o Tocantins, onde há o predomínio do bioma do Cerrado. Na parte central do Estado, há longas faixas de matas de transição (mata dos cocais), e  ainda, a vegetação costeira de restinga e dos manguezais.
Atualmente, a apicultura maranhense é mais desenvolvida em duas regiões: no Alto Turi – Gurupi, pertencente  ao bioma amazônico degradado, tendo como pasto apícola predominante o hortelanzinho (Hyptis atrorubens), o bamburral, (hypts suaveolens), e a vassourinha de botão, (borreria vertieillata).
Nessa região, o período de produção de mel  ocorre nos meses de junho a setembro. A produção estimada por safra é de mais de 2.000 toneladas de mel. A outra região, que é de Campos e Lagos na parte costeira dos manguezais, predomina o pasto apícola do  mangue branco, (laguncularia racenosa).
O período de produção de mel nos manguezais é de agosto a dezembro, com uma produção estimada por safra de mais de 700 toneladas. Existem nessas duas  fisiográficas do estado, várias empresas que atuam na compra e exportação de mel, onde 80% do produto  é destinado aos Estados Unidos e os  da comunidade europeia, aquecem a compra nos países produtores do hemisfério sul que se encontram saindo do inverno à primavera, com o parque de floração em estágio pleno.
A flora predominante na região da Baixada Oriental e do Baixo Parnaíba Maranhense é  capitaneada pelo mirim (Humiria balsamífera), que se apresenta abundante   nos municípios de Cachoeira Grande, Morros, Presidente Vargas e Humberto de Campos no período de agosto a outubro. Nos municípios de Santo Amaro, Primeira Cruz, Barreirinhas, Paulino Neves e Belágua a floração é um pouco antecipada estendendo-se de junho a agosto.
O mel do mirim tem destaque comercial não pela cor, mas pela análise sensorial (sabor). Trata-se de um mel muito saboroso que foi campeão nacional em um concurso de méis durante o penúltimo Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), ocorrido em 2012, na cidade de Gramado, (RS).
Nesse contexto, cabe destacar o município de Belágua que apesar de encabeçar a lista dos municípios com menor IDH, (Índice de Desenvolvimento Humano), pode ser favorecido e até reverter esse perfil por ser rico em mirim, com potencial para responder positivamente a investimentos na área  da meliponicultura.
O Senar-MA  já deu passos importantes nesse sentido, envolvendo produtores rurais de Belágua com capacitações em apicultura, nos povoados Mocambo e Mendes.
 A potencialidade da região  é grande e não fica  só na florada da mata natural reinante. Nos municípios de Santa Quitéria, Mata Roma, Anapurus, São Benedito do Rio Preto e Urbano Santos, apresentam o pasto apícola de excelente qualidade a partir da cultura do eucalipto. Os clones de eucalipto MA 2000 e MA 2001 com floração de setembro a dezembro, nesta regional constituem uma excelente opção para produção de mel.
É oportuno ainda destacar que a proximidade com o estado do Piauí também potencializa a possibilidade de produzir mel e a florada silvestre no mesmo semestre do ano, como por exemplo: o marmeleiro (Croton sonderianus), o velame (Croton heliotropiifolius), o bamburral, (Hyptis suaveolens), a vassourinha de botão, (Borreria vertieillata) e a jitirana (Ipomoca finbriosepala).
Há que se destacar também  a região do médio sertão maranhense onde os municípios de Fortuna, Colinas, Buriti Bravo, Passagem Franca, São Domingos do Maranhão e Jatobá, apresentam extensas e densas áreas com o pasto apícola natural predominantemente, com a jitirana onde é vulgarmente denominado de melosa, (Hyptis suaveolens).
Potencialidades importantes acontecem no município de Buriti Bravo, onde  também é observado o pasto apícola silvestre do angico de bezerro, (Piptadenia moniliformis), e do cipó de mofumbo, (Combretum leprosum).
Nessa região fisiográfica do Estado, a cadeia produtiva do mel também vem sendo apreciada pelo SENAR, por intermédio de ações de capacitação e assistência técnica, via programa MAPITO.
  # Euler Gomes Tenório é engenheiro agrônomo, instrutor do Senar-MA, consultor do Sebrae e presidente da Federação dos Apicultores e Meliponicultores do Maranhão (FEMAMEL).

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