terça-feira, 30 de maio de 2017

NOTA OFICIAL À NAÇÃO BRASILEIRA
O Brasil está, a duras penas, emergindo da mais grave recessão de sua história, que produziu uma multidão de desempregados, o encolhimento das atividades produtivas e o empobrecimento de boa parte de sua população.
Para evitar a ruína da economia e a desorganização de nossa sociedade, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em nome dos produtores rurais de todo o País e encorajada por eles, apoiou clara e firmemente uma mudança nos rumos do nosso País, com a esperança de dar ao Brasil a chance de reerguer-se e reconciliar-se com o crescimento e a estabilidade.
Em tempo breve e produtivo, o Governo e o Congresso Nacional estão debatendo e aprovando mudanças importantes para o funcionamento do Estado e da economia. Em consequência disto, a maioria dos indicadores econômicos e sociais já apontam para uma consistente recuperação, capaz de devolver confiança aos investidores e esperança à população brasileira. A consolidação do ciclo reformista está ao alcance de nossas vistas, o que ocorrerá com a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária pelo Congresso Nacional.
 Acontecimentos inesperados, que não nos cabe julgar, podem colocar em risco a conclusão virtuosa destas reformas. A interrupção da volta à normalidade representa um grave risco à retomada do crescimento. Este é um destino que não podemos e não vamos aceitar.
 Com a responsabilidade de quem lutou pela transição política, apoiamos  a manutenção da agenda de reformas, na certeza de que este é o único caminho para o equilíbrio fiscal, a estabilidade das instituições e a recondução ao crescimento sustentável e duradouro.
 Confiantes nas instituições para a manutenção do Estado de Direito, queremos deixar claro que, em nossa visão, qualquer resultado que retarde ou venha a inviabilizar a conclusão das reformas é contrário ao interesse dos produtores rurais e, principalmente, ao interesse coletivo de toda a Nação brasileira.
Brasília, 26 de maio de 2017.

CONFEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DO BRASIL – CNA

Emissão de gases da queima da cana paulista diminuiu 44% em 25 


Foto: Segundo Urquiaga
Segundo Urquiaga -
Entre 1990 e 2015, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) geradas pela colheita da cana-de-açúcar foram reduzidas em 44% no Estado de São Paulo. O registro consta de estudo recente que atualizou informações do 1º Inventário de Emissões Antrópicas de Gases de Efeitos Estufa Diretos e Indiretos do Estado de São Paulo, realizado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP), seguindo a mais recente metodologia publicada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O documento traz estimativas anuais para o estado e municípios. Apesar de o novo método resultar em maiores emissões de gases em relação ao anterior, nas mesmas condições de produção e quantidade de cana-de-açúcar, o resultado mais importante é a acentuada redução da emissão nos últimos anos, efeito direto da adoção do corte da cana crua, preconizado por lei e adotado progressivamente no Estado de São Paulo.
Método mais adequado de medição
O método mais recente do IPCC, de 2006, apresenta diferentes fatores de emissão de gases de efeito estufa para a queima de resíduos agrícolas em relação ao método anterior, de 1996. Com exceção do metano (CH4), cujo fator de emissão foi pouquíssimo alterado, os fatores de emissão de dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e óxidos de nitrogênio (NOX) foram estimados em metade do valor apresentado pelo método de 1996, daí a resultante redução nas emissões estimativas desses gases. Estudos podem surgir ainda com fatores mais específicos para o caso da cana-de-açúcar, cujos resultados incidirão certamente em futuras estimativas estaduais de emissão. Nesse último método de 2006, explica o pesquisador Alfredo Luiz, as emissões não são medidas, e sim estimadas por meio de fórmulas. Nas fórmulas, cada país fornece seus dados de área e de manejo e utiliza parâmetros preconizados pelo método do IPCC. 
“Assim, destaca o pesquisador, o impacto final da aplicação dos novos parâmetros (IPCC, 2006) sobre as mesmas condições (área e manejo) foi a de aumentar o total emitido, quando comparado com as estimativas feitas para o mesmo ano com o método do IPCC de 1996. Entretanto, ao longo do tempo, com a adoção da colheita sem queima, houve uma redução nas emissões, independentemente do método utilizado para o cálculo. Os autores explicam que as emissões totais estimadas referentes a 2015 correspondem a uma redução de 44,3% em relação a 1990. 
Segundo a análise da pesquisadora da Embrapa Magda Lima, autora do trabalho, esse decréscimo evidencia o papel da legislação estadual e de sua implementação sobre o controle de queimada. “Além disso, o trabalho mostra que as estimativas de emissão de metano em 1990 resultaram em valores 4% inferiores aos obtidos no relatório de referência sobre o setor de agricultura do 1º Inventário, publicado em 2015, o qual se baseou na aplicação do método do IPCC de 1996 para o período de 1990 a 2008. No mesmo ano, as estimativas de emissão de óxido nitroso e de nitrogênio foram 50% inferiores às estimadas pelo método do IPCC de 1996, enquanto as emissões de monóxido de carbono foram 55% superiores,” relata a cientista.
São Paulo é o principal estado produtor da cana-de-açúcar, com mais de 423 milhões de toneladas produzidas em 2015, o que representa 54,8% da produção nacional e área colhida de cinco milhões de hectares, 56,6% do País. Em 2006, 469 municípios paulistas colheram cana-de-açúcar, enquanto em 2015 foram 508, do total de 645. Observou-se maior densidade de áreas de cultura na região nordeste paulista, e, consequentemente, maior quantidade emitida de gases, sobretudo em 2006, quando havia ainda grande incidência de queima na pré-colheita. Em 2015, a prática de colheita crua fica bastante evidente e apresenta o efeito progressivo da legislação de controle de queimadas.
A pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não discrimina a área colhida por uso do produto, ou seja, não especifica se a produção se destina ao setor sucroalcooleiro, à fabricação de cachaça, rapadura ou para alimentação animal. As estimativas levaram em consideração a área total colhida conforme a base de dados da PAM.
Legislação
A queima busca facilitar as operações de colheita, promovendo a eliminação das folhas. A Lei 11.241 de 2002, que trata da exclusão dessa prática no Estado de São Paulo, determina que nas áreas mecanizáveis (cuja inclinação é igual ou inferior a 12%), o uso do fogo deverá ser suspenso gradativamente até 2021. 
O Protocolo Etanol Verde, iniciativa do governo estadual e do setor sucroenergético, antecipou esse prazo para 2014 e prevê a concessão anual de um certificado de conformidade aos produtores que adotarem boas práticas de manejo. Nas áreas consideradas não mecanizáveis, a queima, que deveria ser totalmente abandonada até 2031, teve sua eliminação antecipada para 2017.
As estimativas registradas foram derivadas de dados obtidos por outras instituições, os de área colhida utilizados são oficiais gerados pelo IBGE, órgão responsável pelas estatísticas agrícolas brasileiras, e os dados de queima foram produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entretanto, é importante ressaltar que, como toda estimativa, o resultado final é uma aproximação do valor real. 
A colheita da cana era feita integralmente com queima até 1995. Em 1996, com a chegada ao País de máquinas colheitadeiras específicas para a cultura, teve início a colheita sem queima em 10% da área do Estado de São Paulo. Em 2002, foi aprovada a lei que determinou o fim gradual da queima de cana em áreas planas no estado e seus efeitos começaram a ser percebidos a partir de 2006. Atualmente o percentual de cana colhida sem queima está próximo de 80%.

Prática de queima e o ano em que começou a diminuir no estado - evolução. O que está em verde é o total, e as outras cores mostram as áreas de cana com queima e sem queima. Autores: Magda Lima, Alfredo Bueno e Marcos Neve
De acordo com os autores, com base na tendência de redução da prática da queima observada em todas as regiões do estado, pode-se assumir que os valores apresentados não estão distantes daqueles realmente praticados.
O impacto da aplicação do método do IPCC sobre as estimativas estaduais de emissões de gases foi notório e, à medida que novos estudos sobre fatores de emissão específicos para cana-de-açúcar tornarem-se disponíveis, será possível aprimorar ainda mais as estimativas. 

Histórico
A Embrapa Meio Ambiente iniciou sua participação nos esforços nacionais e globais para o estudo das Emissões Antrópicas de Gases de Efeitos Estufa há mais de 20 anos, com a preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - Rio 92. Desde então, a Embrapa, por meio de suas diversas Unidades de pesquisa, tem contribuído na elaboração de relatórios de referência do setor de agropecuária.
Esses relatórios, que visam a compor inventários, apresentam estimativas de emissão com base em dados secundários e não necessariamente em medições, conforme estabelecido nos métodos adotados pelo Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC). Assim sendo, tanto a fonte dos dados utilizados como os parâmetros e fórmulas aplicados influenciam de forma decisiva nos resultados alcançados.
De autoria de Magda Lima, Alfredo Luiz e Marcos Neves, o documento está disponível na página.

Cristina Tordin (MTb 28499/SP)
Embrapa Meio Ambiente

Telefone: (19) 3311-2608

Pesquisa desenvolve bioinseticida contra larva do mosquito da dengue


Foto: Lirtlon
Lirtlon -
A empresa Strike, de Alagoas, e a Embrapa desenvolveram inseticida biológico que ataca especificamente larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zica, chikungunya e febre-amarela. Criado a partir da bactéria Bti (Bacillus thuringiensis israelensis), o produto é inofensivo aos demais seres vivos e não agride o meio ambiente. Outra característica importante do novo bioinseticida é sua resistência a altas temperaturas e aos raios ultravioletas (UV) do sol, o que o torna ideal para ser usado sob o clima tropical brasileiro.
Em fase final de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o STRIKE Bio-BTI, como foi chamado, poderá ser vendido diretamente ao consumidor em supermercados, floriculturas e outras lojas do ramo, graças a uma recente mudança na regulamentação da Agência, voltada ao registro de saneantes. Antes, a venda desse tipo de produto era restrita a empresas especializadas ou para campanhas de saúde pública.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Rose Monnerat, que participou do desenvolvimento do bioinseticida, a eficiência é similar a dos produtos anteriores, porém este poderá ser usado em água de consumo humano. Com apenas uma gota para cada litro de água, o novo bioinseticida é capaz de matar as larvas do mosquito nos criadouros.
O produto será comercializado em três formatos: galão de um litro, frascos de 30 ml e de 500 ml com borrifador. Este último é específico para aplicação direta em plantas. A cientista explica que o produto deve ser aplicado em locais nos quais o inseto se reproduz, como, por exemplo, caixas d’água, vasos de plantas, aquários, espelhos d’água, entre outros locais que acumulam água. 
Velha conhecida da pesquisa agropecuária, a bactéria utilizada na formulação do bioinseticida é específica para só atacar as larvas do Aedes aegypti, por isso é inofensiva aos outros seres vivos. Esse microrganismo é usado em programas de controle biológico em todo o mundo há mais de quatro décadas e nunca houve registros de casos de intoxicação humana ou de resistência da praga-alvo. Seu uso é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em campanhas de controle de combate a insetos transmissores de doenças, até mesmo com aplicação na água destinada ao consumo humano.
Desenvolvimento
Os pesquisadores coletam essas bactérias em solo brasileiro e, depois, fazem análises toxicológicas no laboratório para avaliar  seu potencial patogênico contra os insetos. As cepas (variedades) da bactéria utilizadas na formulação dos produtos são oriundas do banco de bactérias mantido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, que hoje conta com mais de 2.800 estirpes. Segundo a pesquisadora, esse banco é um manancial genético à disposição da ciência, não apenas para desenvolvimento de inseticidas biológicos, mas também como fontes de outras informações em prol do controle biológico no Brasil. “Uma das pesquisas que estamos investindo atualmente é no sequenciamento dos genomas das estirpes de bactérias que compõem o banco. Já temos 13 sequenciadas, com mais de 70 genes identificados. Nossa meta é sequenciar as 2.800”, ressalta.
O Laboratório de Bactérias Entomopatogênicas (LBE), no qual esses estudos são desenvolvidos, é o único da Embrapa acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para condução de ensaios biológicos. Isso dá ao laboratório credibilidade para prestar serviço a empresas públicas e privadas do Brasil e do exterior parceiras ou não.
Foco na sustentabilidade
Segundo o diretor industrial da Strike, Carlos Eduardo Guañabens, o foco do desenvolvimento foi a sustentabilidade, o que despertou o interesse da empresa por produtos biológicos em substituição dos químicos. O executivo explica que a demanda inicial por um inseticida veio de clientes, especialmente os do setor hoteleiro, que reclamavam muito da incidência de mosquitos. Além disso, a empresa está localizada em um dos bairros da capital alagoana com maior incidência do mosquito.
Guañabens acredita que o produto atenderá bem a diversas regiões brasileiras, em especial ao Nordeste. “A região Nordeste é marcada por uma heterogeneidade social muito forte. Ao mesmo tempo que várias cidades litorâneas estão no topo do ranking dos polos turísticos do País, a população do interior vive em condições precárias”, destaca o empresário. 
Ele explica que a forte seca à qual a região é constantemente submetida faz com que muitas pessoas não tampem as caixas d’agua a fim de captar água da chuva, situação extremamente favorável à proliferação do mosquito. O somatório dessas questões levou o empresário a ampliar o escopo de atuação da Strike para o mercado de produtos biológicos. 
“Quando comecei a buscar soluções, conheci a expertise da Embrapa, mais especificamente da pesquisadora Rose Monnerat, que já havia desenvolvido dois produtos para controle do mosquito da dengue, além de pesticidas biológicos para controlar lagartas”, conta Carlos Eduardo Guañabens. O interesse mútuo motivou o trabalho conjunto, formalizado por meio de um contrato de cooperação técnica, e as duas equipes começaram a atuar no desenvolvimento do STRIKE Bio-BTI. 
Em breve no mercado
Assim que obtiver o registro, Carlos Eduardo Guañabens pretende propor parcerias com a cadeia produtiva da iniciativa privada e envolver também Secretarias de Saúde, Turismo, Educação e Meio ambiente do Estado de Alagoas e de outros estados para utilização do produto em larga escala. Em princípio, a Strike tem capacidade de produzir dez mil litros por mês, número que poderá ser aumentado dependendo da demanda de mercado.
Outro mosquito já está na mira da cooperação 
Enquanto aguardam o registro do STRIKE Bio-BTI, as instituições investem no desenvolvimento de um outro inseticida biológico contra o mosquito urbano ou pernilongo (Culex quinquefasciatus), baseado no mesmo princípio tecnológico do Strike Bio-BTI.  
“Produtos biológicos ocupam hoje cerca de 2% do mercado de agroquímicos no mundo, mas a tendência é de grande crescimento, cerca de 15% para os próximos anos”, explica a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A expansão desse segmento acompanha o crescimento do mercado de produtos naturais, especialmente no Brasil, que é atualmente o quinto maior mercado do setor de alimentos e bebidas saudáveis. Carlos Eduardo Guañabens acredita que o País vai receber bem o novo bioinseticida, pois, além de eficaz, é de fácil utilização, o que atenderá a todas as classes sociais. 
Fernanda Diniz (MTb 4685/89/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: (61) 3448-4768

Impacto da moratória da soja na redução de desflorestamentos é maior do que se estimava



Foto: Felipe Rosa
Felipe Rosa -
Mapeamento realizado pela Universidade de Kansas, nos Estados Unidos, em parceria com a Embrapa, comprova que a moratória da soja teve contribuição decisiva na redução do desflorestamento no Estado de Mato Grosso. Pesquisas com dados mapeados de 2001 a 2014 mostraram que houve uma queda de 2,4 vezes no cultivo da cultura em áreas recém-desflorestadas. A ocupação média caiu de 9,4% para 3,9% num período analisado de cinco anos antes e depois da moratória.
Os dados são apresentados no artigo Soy moratorium impacts on soybean and deforestation dynamics in Mato Grosso, Brazil (Impactos da moratória da soja sobre a dinâmica da soja e do desmatamento em Mato Grosso, Brasil), publicado no periódico Plos One, no fim de abril. A autoria é dos pesquisadores da Universidade de Kansas Jude H. Kastens, J. Christopher Brown e Christopher R. Bishop, em parceria com Alexandre Camargo Coutinho e Júlio César Dalla Mora Esquerdo, da Embrapa Informática Agropecuária.
“Com base em nossa análise, encontramos um declínio muito mais forte do desmatamento coincidente com a moratória da soja do que outros estudos relataram”, disse Kastens ao boletim KU Today, da Universidade de Kansas. “A moratória da soja tem sido subestimada em algumas pesquisas como um fator na redução do desmatamento. Nossa análise do mesmo conjunto de dados de desmatamento usado por outros estudos revelou que um grande declínio no desmatamento ocorreu imediatamente após a moratória entrar em vigor. O desmatamento ainda está acontecendo, mas desacelerou, e menos desta área está sendo usada para a produção de soja”, ressaltou o pesquisador.
As análises mostram que o desmatamento histórico ocorrido em Mato Grosso foi reduzido em cinco vezes após a moratória. A pesquisa avaliou a dinâmica da atividade produtiva na região de 2001 a 2014 e com os mapas gerados permitiu identificar onde ocorreu a intensificação da agricultura. “Está se produzindo mais, mesmo sem grandes ganhos de área plantada. Os trabalhos intensivos em coleta de dados de campo, assim como os mapeamentos produzidos, demonstram esse fato numérica e espacialmente”, explica o pesquisador Júlio Esquerdo.
De acordo com o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 2001 e 2006, a taxa média anual de desflorestamento do estado foi de 1.028.779 hectares ao ano. Com o estabelecimento da moratória em 2006, restringindo a comercialização da soja a áreas não desflorestadas, esse número passou para 180.694 hectares por ano. Segundo o artigo, no período analisado de cinco anos antes da moratória, cerca de 14% das áreas desmatadas eram ocupadas por soja. Após a proibição, o índice caiu para 5,6%.
O estudo mapeou a agricultura anual no estado, composta principalmente por soja, milho e algodão, com base em imagens de satélite e técnicas de sensoriamento remoto. Além dos dados de campo coletados em cerca de três mil pontos amostrais, em várias viagens feita pela equipe, dados de soja e algodão foram comparados com os divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Pela primeira vez, esse tipo de análise foi promovida com mapeamentos específicos da cultura da soja e os resultados mostraram um impacto maior da moratória da soja na redução dos desflorestamentos, em comparação a estudos anteriores”, conta o pesquisador Alexandre Coutinho. Ele ainda destaca a grande repercussão que o trabalho obteve em canais de divulgação no exterior, especialmente por causa do compartilhamento das informações. Tanto os mapas quanto os dados citados no artigo científico estão disponíveis na internet com o intuito de contribuir para o trabalho de gestores e formuladores de políticas públicas no País.
Intensificação agropecuária
Com o amplo mapeamento no estado de Mato Grosso, a equipe identificou que, especialmente após a moratória da soja, houve uma forte intensificação agrícola na região, ou seja, os produtores passaram a produzir mais graças à adoção de tecnologia. A produção de algodão, milho e soja, que era de 12,8 milhões de toneladas em 2001, passou para 46,9 milhões em 2014, de acordo com o IBGE.
Entretanto, esse incremento na produção não ampliou as áreas plantadas na mesma proporção. O que houve foi uma alteração na dinâmica agrícola, com mais plantios sendo feitos em sistema de safra-safrinha, ou seja, com duas culturas produzidas no mesmo ano-safra. Para se ter uma ideia dessa mudança, em 2001 havia 3.289 quilômetros quadrados (km2) com plantio de soja na safra sucedida por plantios de safrinha, como milho, algodão e sorgo. Já em 2014, esse número passou para 43.843 km2, o que representou um aumento de 13 vezes. O algodão foi uma das culturas com maior expansão de área plantada durante a safrinha após a soja, passando de 110 km2 em 2001 para 5.383 km2 em 2014, enquanto o plantio de algodão durante a safra principal reduziu-se de 3.013 km2 para 466 km2 no mesmo período. 
Outro aspecto que merece destaque é o desenvolvimento de cultivares de soja de ciclo mais curto como uma das medidas de controle da ferrugem-asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie, identificada pela primeira vez no Brasil em 2001 e que provocou grandes estragos na agricultura brasileira. “As variedades de soja precoces possibilitaram sua integração com a cultura do algodão em um mesmo ano-safra. São commodities agrícolas importantes e extremamente tecnificadas, que tiveram grande aumento de produtividade no estado”, declara Alexandre Coutinho.
A expansão das áreas dessas culturas não ocorreu de forma significativa em áreas florestais. Contudo, há indícios de que o plantio de soja esteja migrando para outros locais, com impacto em outros biomas, como é o caso da região do Matopiba, área abrangente de parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e nova fronteira agrícola no bioma Cerrado, na qual a agricultura é baseada em tecnologias modernas de alta produtividade. Por isso, os pesquisadores alertam que é preciso estabelecer mecanismos mais avançados para o monitoramento agrícola, incluindo a rastreabilidade de grãos, além da implantação de novas ações de controle que ajudem na produção sustentável.
A identificação de processos de expansão ou intensificação agrícola é o principal objetivo do convênio de cooperação técnica que a Embrapa possui com a Universidade de Kansas há quase dez anos. Como resultados desse acordo, as equipes desenvolveram várias metodologias de coleta de dados em campo para o mapeamento de culturas agrícolas, a partir de diversos projetos de pesquisa, como o TerraClass Amazônia, o Mapagri (Metodologia de mapeamento da atividade agrícola no Brasil) e o Intagro (Intensificação agropecuária e commodities agrícolas no Brasil: territorialidade, sustentabilidade e competitividade).
Moratória
A moratória da soja é um compromisso criado em 2006 entre representantes da indústria, sociedade civil e o governo brasileiro. Esse instrumento proíbe o comércio, a aquisição e o financiamento de grãos produzidos em áreas desmatadas de maneira ilegal no bioma Amazônia, além de áreas embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e em propriedades que constem em lista de trabalho análogo ao escravo do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Pela moratória, a Associação Brasileira das Indústrias dos Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (Anec), que compram grãos no Brasil, se comprometem a não investir em produtores de soja que usam área da Floresta Amazônica da Amazônia Legal.
Nadir Rodrigues (MTb 26.948/SP)
Embrapa Informática Agropecuária

Telefone: (19) 3211-5747
Colaboração: Giovanna Abbá 
Embrapa Informática Agropecuária 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cochos eletrônicos identificam animais com melhor eficiência alimentar



Foto: Dalizia Aguiar
Dalizia Aguiar -
Touros que ganhem mais peso e comam menos, esse é o desejo de todo pecuarista. Para buscar essa resposta, pesquisadores da Embrapa estão utilizando uma estrutura computadorizada, formada por cochos eletrônicos e estações de pesagem, para identificar quais animais possuem melhor conversão alimentar.
Bovinos eficientes produzem mais carne e têm menor custo de produção. O estudo sobre conversão é antigo, porém é inédita a utilização dessas ferramentas, principalmente, nas dimensões propostas. “É a primeira vez que pesquisamos eficiência alimentar em larga escala na Embrapa, graças ao avanço tecnológico”, afirma o líder da pesquisa, Luiz Otávio Campos da Silva, da Embrapa Gado de Corte (MS). Ele explica que a eficiência é a relação entre o que o indivíduo consome e o seu posterior ganho de peso. Para isso, é preciso medir quanto do alimento que o animal comeu foi convertido em carne. O cientista frisa que essa medição requer investimento, equipamento e recursos humanos especializados.
Os cochos automáticos instalados em centros de pesquisa da Embrapa em Bagé (RS), Campo Grande (MS), São Carlos (SP) e Santo Antonio de Goiás (GO) fazem a medição em seis raças: Nelore, Caracu, Senepol, Canchim, Brangus e Hereford. Por meio de uma estrutura automatizada computadorizada, formada por cochos eletrônicos e estações de pesagem conectados 24 horas, com fornecimento de informações em tempo real, é possível gerar dados de consumo e comportamento alimentar com mais confiabilidade e acurácia.
Os equipamentos possuem comedouros apoiados sobre uma balança, que registra eletronicamente o total de alimento consumido por animal, individualmente. A identificação de cada touro é feita por meio de um chip, implantado na orelha, detectado pela antena presente no cocho a cada aproximação para se alimentar. Já as estações de pesagem produzem dados de peso vivo e ingestão alimentar. Elas são ligadas aos bebedouros, e todas as vezes que os animais chegam para beber água são pesados. “Cada experimento dura 56 dias efetivos em confinamento, com dois períodos de adaptação de 14 dias, com medição diária e ininterrupta, e custo ao redor de mil reais por animal por prova”, conta o nutricionista animal da Empresa Rodrigo da Costa Gomes. A proposta é realizar três medições com essa finalidade por ano até 2018, em Campo Grande.
Já o melhorista da Embrapa Roberto Augusto de Almeida Torres Junior, um dos responsáveis pelas metodologias genético-estatísticas do projeto, explica que as medidas de peso e consumo são alinhadas e os valores extremos, fora da curva padrão, descartados. A variável de eficiência se baseia em consumo animal de matéria seca, ganho médio do animal no período, peso médio metabólico (demanda de energia para mantença) e ganho médio por dia. Com isso calcula-se o consumo esperado para cada animal. “Ao fim, a variável de eficiência é basicamente a diferença entre o quanto o animal de fato consumiu e o quanto esperávamos que consumisse”, explicam Torres Júnior, que acredita que explorar a seleção animal em diversos níveis como está sendo proposto oferece ao produtor informações mais exatas para a tomada de decisão na propriedade.
Os tourinhos usados no estudo são de rebanhos de parceiros externos e da própria Embrapa. Trata-se de animais já com genética superior, puros de origem (PO), aptos para o papel de reprodutores em futuro próximo, promovendo, assim, uma redução no intervalo entre as gerações, complementa o pesquisador Silva.
Durante a prova, são extraídos também materiais biológicos, coletados dados de fenótipos relacionados a informações reprodutivas e produtivas, e qualidade da carcaça e carne. O objetivo é gerar uma base de dados para viabilizar a construção de um conjunto de ferramentas para selecionar e acasalar reprodutores e matrizes, com material genético superior.


Refinamento da seleção genética
Tradicionalmente, a seleção de um rebanho é feita com base em Diferenças Esperadas das Progênies (DEPs) de um animal. DEP mede a superioridade média dos descendentes de um animal em relação aos dos demais animais conjuntamente avaliados para uma determinada característica. Os pesquisadores pretendem incrementar e acelerar o processo com a DEP genômica, que utiliza informações geradas a partir de marcadores moleculares de alta densidade espalhados no genoma bovino. 
“É como se fosse uma estrada muito bem sinalizada. Os marcadores são como placas que sinalizam pontos-chave no DNA”, exemplifica Silva. Quando os indivíduos são mais aparentados, espera-se que tenham genética mais semelhante entre eles que os não aparentados. Com a genômica, determinam-se mais ainda quais são as semelhanças, sejam os animais mais ou menos aparentados.
Entre as vantagens, os especialistas enumeram: identificação de “touros-destaques” da safra; geração de dados dos pais a partir de seus filhos; redução do custo ao se utilizar a eficiência na seleção. A eficiência alimentar é uma característica prática, mas exige alto investimento. Assim a genômica possibilitará estimativas com maior precisão e, em vez de o produtor enviar um animal para uma prova de desempenho, ele pode “genotipar” (realizar a caracterização genética) o seu lote, saber quais animais serão eficientes e pré-selecioná-los para uma prova ou, simplesmente, utilizá-los na propriedade. A decisão estará nas mãos dos produtores e quem fizer seleção com seriedade vai se destacar, preveem os especialistas. 

Além da seleção 
Todo esse estudo integra o arranjo de projetos MaxiBife, que visa maximizar o ganho genético animal bovino. A iniciativa reúne centros de pesquisa da Embrapa, diversas instituições parceiras e mais de 60 pesquisadores, liderados por Luiz Otávio Campos da Silva. Iniciado em 2013, o MaxiBife subdivide-se em cinco ações, além dos esforços em integrar genética molecular e quantitativa na geração de tecnologias. Elas focam em desenvolver e implementar metodologias genético-estatísticas em avaliações genéticas de gado de corte; elaborar estratégias e índices de seleção com abordagem econômica e ambiental; formatar uma plataforma de integração de dados genômicos e fenotípicos; avaliar estratégias de cruzamento; transferir conhecimentos aos produtores e prospectar demandas. 
Silva recorda um marco relacionado à genética animal, que abriu as portas para a rede: o mapeamento do genoma bovino. Ocorrido em 2009, o sequenciamento foi feito por mais de 300 cientistas de 25 países, entre eles pesquisadores brasileiros, liderados pelo geneticista Alexandre Caetano da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF).
Dalízia Aguiar (MTb 28/03/14/MS)
Embrapa Gado de Corte 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sobe para 21 o número de plantas hospedeiras da mosca-da-carambola



Foto: Danilo Nascimento
Danilo Nascimento -
Mais quatro espécies vegetais hospedeiras da mosca-da-carambola (B. carambolae) foram registradas no Brasil por uma equipe de pesquisadores da Embrapa Amapá. Com o registro, sobe de 17 para 21 o número de espécies infestadas com essa praga no Amapá, único estado onde há ocorrência de hospedeiros da mosca-da-carambola no País.
Desta vez, foram acrescidos à lista a tangerina, goiaba-araçá ou araçá, caju e laranja-da-terra. Os três primeiros com registros no Município de Macapá, capital do estado, e o último em Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Os estudos da Embrapa são realizados em apoio ao Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-Carambola (PNEMC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e atendem ao objetivo de promover pesquisa para segurança biológica e defesa zoofitossanitária da agropecuária e produção florestal brasileira.
As 21 espécies vegetais hospedeiras agora são: caju, manga, taperebá, biribá, ajuru, Licania sp., acerola, muruci, araçá-boi, pitanga, goiaba, goiaba-araçá, ameixa-roxa, jambo-vermelho, carambola, sapotilha (sapoti), abiu, cutiti, tangerina, laranja-da-terra e pimenta-de-cheiro. Entre os hospedeiros registrados no Comunicado Técnico intitulado “Novos Registros de Hospedeiros da Mosca-da-Carambola (Bactrocera carambolae) no Estado do Amapá, Brasil”, o caju, a laranja-da-terra e a tangerina já haviam sido relatados como hospedeiros de mosca-da-carambola no Suriname, em 1991. Entretanto, o registro de goiaba-araçá ou araçá como hospedeiro da mosca-da-carambola é inédito na América do Sul. Embora o Estado de Roraima também esteja na área de ocorrência da mosca-da-carambola desde 2013, até o momento não há registros de hospedeiros naquele estado.
A equipe ressalta que o conhecimento dos hospedeiros potenciais de mosca-da carambola é de fundamental importância para o estabelecimento e sucesso das ações de controle, especialmente no Amapá. Integrante da região Amazônica, o estado possui ecossistemas e condições climáticas favoráveis à sucessão de hospedeiros, em virtude da contínua produção de frutos que podem ser utilizados pela praga como hospedeiros secundários.
Possível prejuízo milionário
A mosca-da-carambola é considerada a principal barreira fitossanitária nas exportações da fruticultura nacional, devido aos países importadores estabelecerem restrições à aquisição de frutos hospedeiros da praga, produzidos em países onde ela ocorre.
A origem do inseto é o Sudeste Asiático, sendo considerada espécie invasora no Brasil, Suriname, República da Guiana e Guiana Francesa. Os danos ocorrem em várias frentes. O ataque da mosca-da-carambola é uma ameaça de perda da produção, pois os frutos infestados têm seu desenvolvimento afetado e caem precocemente, ou seja, o produtor tem perda direta. Além disso, as medidas para o controle da praga acabam aumentando os custos da produção e a depreciação do fruto infestado implica menor valor comercial e frutos que se conservam menos tempo na prateleira, porque apodrecem precocemente. 
A presença da praga pode levar à perda de mercados importantes, visto que os países livres da sua presença não importam frutos de regiões frutíferas onde ela ocorre (perda indireta). O Mapa estima que, se a praga ficar fora de controle no Brasil, poderá gerar um prejuízo potencial de US$ 30,7 milhões no ano inicial e de cerca de US$ 92,4 milhões no terceiro ano de infestação. Todo o esforço da parceria entre Mapa e Embrapa é concentrado para prevenir a entrada da mosca-da-carambola em áreas do Brasil produtoras e exportadoras de frutas, evitando assim prejuízos em torno de R$ 400 milhões anuais, no caso de as exportações de manga, laranja e goiaba serem suspensas, por exemplo.
No Brasil, a mosca-da-carambola foi registrada em 1996 em Oiapoque, município do extremo norte do Amapá, oriunda da Guiana Francesa após ser detectada no Suriname em 1985. Este fato é, provavelmente, resultado do transporte de frutos contaminados da Indonésia pela comunidade de indonésios residentes no Suriname. É caracterizada como praga quarentenária presente no País, ou seja, possui importância econômica potencial para uma área em perigo, pois já se encontra no Brasil, porém sem ampla distribuição. Embora as ações do Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-Carambola (PNEMC) tenham sido efetivas para o controle e erradicação de focos da praga detectados no Pará e Roraima, a coordenadora do Programa considera que a ausência de ações de controle na Guiana Francesa e na Guiana prejudicam as ações das instituições do Brasil voltadas para a erradicação da mosca-da-carambola.


Projeto científico “Mosca-da-carambola no Brasil” 
Estes novos dados são resultantes de pesquisas no âmbito do projeto “Mosca-da-carambola no Brasil: biologia, ecologia e controle”, iniciado em 2014 com previsão de término em 2017. Trata-se do primeiro projeto da Embrapa específico para a mosca-da-carambola. De acordo com a pesquisadora Cristiane Ramos de Jesus-Barros, líder da pesquisa, os estudos incluem também estratégias para monitoramento e controle da mosca-da-carambola, por meio de testes de controle químico, biológico e alternativo para controle da praga nas diferentes fases do seu ciclo de vida, com o objetivo de atingir maior eficiência e minimizar os custos de controle e possíveis impactos ambientais. 
A coordenadora do Programa Nacional de Erradicação da Mosca-da-Carambola (PNEMC), Maria Julia Signoretti Godoy, ressaltou que devido à evolução dos trabalhos deste Programa, verificou-se a necessidade de várias linhas de pesquisas para suprir os poucos resultados de pesquisa existentes sobre esta praga no continente asiático. Em 2014, o Ministério da Agricultura iniciou a articulação com o então chefe-geral da Embrapa Amapá, Silas Mochiutti, e foi realizada a primeira reunião de pesquisadores da Embrapa e de instituições parceiras, auditores fiscais federais agropecuários das superintendências de Agricultura do Amapá e do Pará. Durante o encontro foram definidas as linhas de elaboração de um projeto. “A equipe técnica listou as necessidades de pesquisa e as dificuldades na condução do Programa no Norte do País, subsidiando os pesquisadores na elaboração dos projetos de pesquisa. Também foi sugerido pelos pesquisadores novas propostas de pesquisa com vistas a atender os anseios da equipe”, relembrou a coordenadora do PNEMC. 
Dulcivânia Freitas (MTb 1063-96/PB)
Embrapa Amapá

Telefone: (96) 3203-0287

Macaúba é aposta para gerar energia e renda no Nordeste



Foto: Daniela Collares
Daniela Collares -
Produzir agroenergia e alimentos na mesma área pode ser um negócio lucrativo e viável. É o que tem demonstrado pesquisa feita por meio de parceria entre a Embrapa e o World Agroforestry Centre (Icraf). As instituições estudam o cultivo da macaúba em consórcio com grãos e leguminosas para obter alimentos e matéria-prima de qualidade para biocombustíveis. A ideia é, no futuro, incluir a pecuária no sistema, a fim de demonstrar que a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) também pode atender o mercado de agroenergia, conferindo ainda mais sustentabilidade ao setor e gerando renda para a agricultura familiar. 
Os experimentos estão sendo conduzidos em dois locais: Parnaíba, no litoral do Piauí, e em Barbalha, no Ceará, interior do Nordeste. A macaúba gera frutos com volume de óleo comparável ao do dendê, que é campeão em produtividade. Esse óleo pode atender à produção de dois combustíveis de origem renovável: o biodiesel, já presente no Brasil, e o bioquerosene de aviação, um produto ainda em consolidação, com grande potencial de mercado. 
Parceria
O projeto da Embrapa e do Icraf no Nordeste faz parte um programa internacional para desenvolvimento de cultivos alternativos para produção de biocombustíveis, com ações também na África e na Ásia. As atividades são lideradas pelo Icraf, com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Ifad). No Brasil, a Embrapa conta, na condução do projeto, com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, em esfera federal, do Instituto Federal, Emater, e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, além da interação com comunidades extrativistas locais.
De acordo com Shantanu Mathur, representante do Ifad, a instituição está investindo na produção de matérias-primas para biocombustíveis como forma de fortalecer o combate à pobreza. “Em quatro décadas trabalhando para a redução da pobreza, descobrimos que a produção de alimentos sozinha não é suficiente”, conta.
Para o pesquisador da Embrapa Agroenergia (DF) Alexandre Cardoso, líder do projeto, estabelecer esse sistema de produção agroflorestal tem como pontos favoráveis a diversificação e a regionalização da produção de biomassa para biocombustíveis, contando com uma espécie nativa, com ampla adaptabilidade em diferentes regiões. 
Outro fator importante é o incremento da renda de comunidades locais proporcionado pelo cultivo que toma o lugar da atividade extrativista. “O extrativismo é importante para dar oportunidade de trabalho e renda, mesmo que temporariamente, em algumas populações. Mas, geralmente, o produto extrativista tem pouco valor agregado e, por isso, é pouco valorizado. As pessoas trabalham muito e recebem pouco”, observa o pesquisador Humberto Umbelino de Sousa, da Embrapa Meio-Norte (PI). 
Ele acredita que, com o cultivo da macaúba, pode ser organizada uma cadeia produtiva que melhore as práticas de obtenção e processamento da matéria-prima, dando origem a produtos com mais qualidade e que resultem em maior renda para os produtores.
Palmeira ainda está em fase de domesticação
A palmeira, contudo, ainda é uma planta em processo de domesticação. Ou seja, há carência de conhecimento sobre a espécie e informações limitadas sobre tecnologias para plantio, adubação, combate a pragas e doenças, colheita. Com a finalidade de dar respostas com embasamento científico a essas questões, pesquisadores da Embrapa estão conduzindo três experimentos em Barbalha e Parnaíba.
O primeiro deles avalia justamente a eficiência de sistemas agroflorestais com a palmeira. Os cultivos começaram há dois anos e, enquanto esperam a macaúba dar os primeiros frutos, os pesquisadores já avaliam a produção de feijão-caupi e milho entre as fileiras de mudas da palmeira. Com duas safras colhidas, já se observou que não há efeitos negativos de uma cultura sobre a outra. 
No campo de Parnaíba, a média de colheita anual tem sido de 1.100 quilos por hectare para o feijão e de 2.500 quilos por hectare para o milho. O pesquisador Humberto Umbelino de Sousa avalia que a produtividade é satisfatória, considerando as variedades e tratos culturais utilizados. No caso do milho, a equipe escolheu uma variedade rústica, com condições de produção próximas às que a comunidade local está acostumada e adequada para as condições de cultivo da região. 
Quando a macaúba já estiver com porte alto, também poderá ser testada na área a criação de animais. A planta dá sombra, proporcionando conforto térmico, e pode ter algumas partes do fruto utilizadas como ração para os bois, cabritos e outros animais.
O segundo experimento avalia plantas originadas de diferentes regiões de Minas Gerais e do Ceará, com o objetivo de identificar quais seriam mais adequadas para o cultivo no Nordeste. O pesquisador Bruno Galvêas Laviola, da Embrapa Agroenergia, explica que não necessariamente as plantas originárias de determinada região são as melhores escolhas para plantios comerciais naquela área. “Genótipos de outros locais podem responder melhor ao fornecimento de nutrientes, água, controle de pragas. Por isso, é importante esse tipo de avaliação”, explica. 
Por fim, no terceiro experimento, a equipe da Embrapa está testando diferentes combinações de doses de fertilizantes e necessidade de irrigação, buscando identificar a mais vantajosa para o produtor. Os primeiros resultados das avaliações nesse experimento foram apresentados no 6º Congresso Brasileiro de Biodiesel e apontam a eficiência da adubação com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) na proporção de 137% nos dois primeiros anos do cultivo, independentemente do uso de irrigação.
Progresso
“Estamos bastante satisfeitos com o progresso alcançado até o momento”, diz Rodrigo Cianella, do Programa de Biocombustíveis do Icraf. “Temos consciência de que esse é um investimento em pesquisa com retorno principalmente a médio e longo prazo, já que depende da avaliação constante de árvores plantadas há apenas dois anos. É possível notar, no entanto, avanços relevantes do projeto”, completa. O líder do projeto, Alexandre Cardoso, concorda: “São ações de longa duração, que podem fornecer subsídios para uma diversificação da cadeia de produção de óleo e outros produtos no Nordeste”.
Na região de Parnaíba, por exemplo, a macaúba ainda não é uma cultura presente. Contudo, a região é uma área favorável à expansão do cultivo e tem como atrativo as médias anuais de chuva superiores a 1.000 milímetros. “A gente entende que essa seria uma região para expansão da macaúba como cultivo e não como extrativismo”, diz o pesquisador Humberto de Souza.
Pesquisa quer agregar valor aos produtos
Já na região do Cariri cearense, os maciços de macaúba são fonte de renda para as comunidades locais, que também exploram de forma extrativista o babaçu. Contudo, o retorno financeiro dessa atividade é muito baixo. O resultado da coleta é predominantemente vendido in natura, sem nenhum valor agregado, para ser comercializado na Bahia e Maranhão, principalmente. 
Quando processam os frutos da macaúba, as cascas, a polpa e o endocarpo são descartados; apenas a amêndoa é aproveitada, para extração do óleo, que é vendido principalmente como iguaria para os romeiros de Juazeiro do Norte. Mas até mesmo esse óleo tem o rendimento e qualidade comprometidos, já que é obtido pelo cozimento das castanhas. “É um trabalho penoso, à beira do fogo”, observa o analista Luiz de Gonzaga Castro Veras, da Embrapa Algodão (PB).
Com recursos do projeto, um equipamento de uma dessas comunidades foi adaptado para extração do óleo por prensagem. Trata-se da Comunidade Boa Esperança, com 93 associados, a maioria mulheres. O novo recurso permite obter óleo com melhor qualidade, por um método menos trabalhoso. Veras conta que o produto obtido pelo método tradicional de cozimento é escuro e tem cheiro de queimado. “Agora, com a prensagem, eles obtêm um produto límpido, transparente, com cheiro de macaúba,” narra. Segundo o analista da Embrapa, o litro do óleo escuro é comercializado por até R$ 30; pelo produto claro, com melhor qualidade, os extrativistas conseguem R$ 40.
O aprimoramento do processo trouxe outra vantagem. O que sobrava da amêndoa no cozimento podia, quando muito, ser oferecido para os animais no mesmo dia, pois estragava rapidamente. Agora, da prensagem sobra uma torta com maior durabilidade, que pode ser utilizada inclusive para alimentação humana. Esse material está sendo alvo de pesquisa em nutrição animal, no Instituto Federal do Ceará (IFC), sob a liderança do professor Gauberto Barros. 
Seminário
Em fevereiro, um seminário promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário e o Instituto Federal do Ceará, com co-organização da Embrapa, buscou divulgar para as comunidades as possibilidades de uso da macaúba, tanto como produto quanto como alimento. A pesquisadora Simone Favaro, da Embrapa Agroenergia, mostrou que a polpa do fruto, muitas vezes desprezada, é fonte de vitamina A, entre outros nutrientes. 
A torta da amêndoa é outro produto rico. Os participantes do evento foram para a cozinha e preparam, junto com a pesquisadora, bolos, cookies e outros pratos com macaúba. O analista Luiz Veras diz que, agora, os próprios agricultores estão criando receitas. Ele acredita que em breve esses pratos também estarão nas feiras da região.
Além da Embrapa Agroenergia, da Embrapa Algodão e da Embrapa Meio-Norte, também contribui para o projeto a Embrapa Cerrados (DF), cujo banco ativo de germoplasma de macaúba tem sido utilizado principalmente no suporte aos trabalhos com processamento dos frutos.

A planta
A macaúba (Acrocomia aculeata) também é conhecida como bocaiuva, coco-babão e coco-de-espinho. Nativa do Brasil, a palmeira que alcança até 25 metros de altura e possui espinhos longos e pontiagudos pode ser encontrada em quase todo o País. 
Dela, praticamente tudo se aproveita: serve de matéria-prima para produtos de tratamento capilar, cosméticos e fármacos; os frutos são comestíveis; o endocarpo do fruto (parte dura do coco) é usado na produção de carvão ativado utilizado em filtros (também pode ser empregado em siderurgia); o coco também é comestível e fonte de óleo, com diversas aplicações.

Vivian Chies (MTb 42.643/SP)
Embrapa Agroenergia

Telefone: (61) 3448-2264

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Como controlar a compactação do solo

A compactação vem-se tornando um dos principais impactos causados ao solo pelo tráfego intenso de máquinas agrícolas em condições de solo úmido, pela ausência de rotação de culturas e consequente redução de teores de matéria orgânica do solo, principalmente em solos argilosos.
Os efeitos da compactação do solo são:
– aumento da densidade;
– resistência mecânica;
– diminuição do volume de poros.
Em virtude desses efeitos, a energia com a qual a água é retida pelo solo aumenta, enquanto a capacidade de infiltração de água da chuva e a condutividade hidráulica do solo são reduzidas, o que diminui a disponibilidade hídrica à soja.
A compactação limita o crescimento radicular da soja, diminuindo o volume de solo explorado pelas raízes em busca de água e nutrientes. Por outro lado, a compactação dificulta a drenagem do excesso de água, podendo limitar a disponibilidade de oxigênio às raízes. Assim, a compactação do solo reduz a produtividade da soja, principalmente em anos secos ou com excessos de chuvas.

Como identificar e monitorar

 – Abertura de trincheiras (50 cm de profundidade) para a avaliação da distribuição, do formato e da orientação das raízes;
– Concentração superficial, raízes grossas e achatadas, com aspecto recurvado e orientação vertical prejudicada, são indícios de compactação excessiva do solo;
– Em estruturas do solo compactado há poucas raízes, baixa atividade biológica e ausência quase que completa de orifícios e porosidade, além do que, ao serem quebradas, evidenciam faces de rupturas lisas e aspecto prismático.

Controle

A melhor forma de controlar a compactação do solo é através do uso de sistemas de rotação de culturas envolvendo plantas caracterizadas por uma elevada produção de fitomassa e por raízes vigorosas e profundas.
Os resíduos produzidos por essas espécies aumentam o teor de matéria orgânica do solo, o que diminuiu a compactação do solo. As raízes dessas plantas são capazes de crescer através de camadas compactadas, gerando bioporos que favorecem a infiltração de água e aeração, além de se constituírem em caminhos por meio dos quais as raízes da soja, menos agressivas, podem crescer.
Entre as espécies que podem ser utilizadas para esse fim, destacam-se o guandu, as crotalárias, a aveia preta, o nabo forrageiro, o consórcio aveia preta + nabo forrageiro, o milheto e forrageiras tropicais, como as braquiárias. O uso de máquinas mais leves e com maior área de contato rodado-solo (rodas mais largas, rodados duplos), trafegando somente quando o solo estiver friável ou mais seco, auxiliam na prevenção da compactação.
Na ausência de rotação de culturas ou se a mesma não resolver o problema, existem, com restrições, alternativas mecânicas.  A primeira delas corresponde à utilização de semeadoras dotadas de facões estreitos próximos aos discos de corte, que fazem a descompactação do solo na linha de semeadura, permitindo a passagem das raízes.
A outra alternativa envolve a escarificação, a qual deve ser realizada com o solo na consistência friável e, preferencialmente, com equipamentos dotados de rolo destorroador, visando eliminar a necessidade de gradagens de nivelamento. Essa operação deve ser feita após a colheita da soja e antes da semeadura do trigo, da aveia ou de outra espécie que apresente rusticidade para germinar.
A escarificação não elimina as causas da compactação, apenas os sintomas. Caso o manejo do SPD não for melhorado, os efeitos das escarificação desaparecem em um ano ou menos. Portanto, a escarificação é uma maneira de corrigir fisicamente o solo na transição do preparo convencional ou plantio direto “parcial” a um SPD de qualidade, e não como uma prática a ser executada regularmente.


Fonte: Mais Soja

Pesquisadores avaliam a ação de fungicidas no controle da Ferrugem asiática.

ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e é umas das principais preocupações dos produtores de soja, devido ao grande prejuízo que pode causar e às adaptações do fungo aos meios de combate mais utilizados.
Pesquisadores brasileiros avaliaram a ação de dois fungicidas isoladamente e quatro misturas quanto à ação curativa (com a intenção de reduzir os sintomas da presença do fungo na planta) e à ação erradicante (quando o produtor atua diretamente sobre o patógeno, na fonte da doença) da ferrugem asiática em plantas de soja.
As plantas foram inoculadas com o fungo P. pachyrhizi após quatro dias foi realizada a aplicação dos fungicidas em ação curativa.  Avaliou-se o resultado obtido pelos tratamentos pela densidade de lesões e urédias presentes nas plantas. Já a aplicação com ação erradicante foi feita nove dias após a inoculação e foi analisada a presença de necrose das lesões e a viabilidade de infecção de outras plantas.
Os resultados mostraram que apenas um dos fungicidas utilizados não apresentou ação curativa sobre as infecções e que fungicidas penetrantes (que são absorvidos) têm ação curativa e erradicante sobre o fungo causador da ferrugem da soja, uma vez que a ação erradicante está diretamente ligada ao tempo de exposição do fungo ao fungicida.
Um outro aliado no combate da ferrugem da soja é o manejo cultural, através de ações como o vazio sanitário, adiantamento do plantio das sementes e a eliminação da soja safrinha, pois combate a resistência dos micro-organismos.


Fonte: Defesa Vegetal

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ranking das pimentas mais ardidas do mundo

Trinidad Scorpion Butch T, Bhut Joloki, 7 Pot Barrackpore, Moruga Laranja e Moruga Vermelha são as 5 pimentas mais ardidas do mundo, segundo a escala Scoville de pungência

É, também, conhecida como pimenta fantasma. Prefere climas quentes e precisa de um longo período para atingir o amadurecimento
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Recentemente, a cidade de Morisset, localizada a 120 quilômetros de distância de Sydney, na Austrália, entrou para o livro dos recordes e o motivo é de fazer chorar. A cidade destacou-se por lá ser cultivada uma qualidade de pimenta que, atualmente, ocupa a primeira colocação entre as mais ardidas do mundo. Trata-se da pimenta Trinidad Scorpion Butch T, que atinge, segundo a escala Scoville, 1.107.000 de pungência (ardência). Comê-la? Nem pensar! Normalmente, por ser extremamente ardida, seu uso tem sido muito direcionado para a fabricação de molhos e sprays de pimenta para a proteção individual ou policial. 

A variedade necessita de aproximadamente 12 meses para se desenvolver plenamente até estar pronta para ser colhida. Seu trato cultural necessita de cuidados especiais por parte de quem as cultiva, pois um simples toque na pele pode provocar, nas pessoas mais sensíveis, ardências e queimaduras, em outras pode causar irritação nos olhos, só de chegarem próximo aos campos de cultivo. Portanto, aconselha-se o uso de equipamentos especiais como luvas, óculos de proteção e outros.

Curiosidades sobre as pimentas


Pertencentes à família Solanaceae, gênero Capsicum, as pimentas contam, atualmente, com 27 espécies catalogadas. Sua principal característica é a sensação de ardência quando consumidas ou, em alguns casos específicos, até mesmo quando tocadas. A grande causadora dessa pungência é a  capsaicina, substância sem cheiro, sem sabor, responsável por estimular as células nervosas encontradas na boca, o que provoca uma ardência insuportável. A capsaicinanada mais é que um composto químico formado por capsaicinoides, produzidos nas glândulas da placenta da fruta. Curiosidade muito interessante e diferente do que muitos pensam, as sementes não são a fonte de ardência das pimentas, o que ocorre na verdade é que elas acabam absorvendo a capsaicina, por estarem muito próximas à placenta, única parte da planta capaz de produzir essa substância.

Quem já passou pela experiência de comer uma pimenta relata que a sensação, após ingeri-la, é de como se a boca estivesse pegando fogo. Muitos afirmam não ter gostado da experiência, negando-se a repeti-la. Já outros afirmam não ter sido tão ruim e que seriam capazes de comê-la novamente, desde que em outro momento. Diante disto, podemos dizer que comer pimenta é para aqueles que gostam de fortes emoções!

Beber chá ou qualquer outro tipo de líquido de nada adianta para aliviar a ardência das pimentas. Muito pelo contrário, esses líquidos expandem a sensação de ardência. Somente a ingestão de leite ou óleo ou, ainda, comer um pedacinho de pão é capaz de diminuir a sensação de ardência deixado na boca.

Níveis de ardência das pimentas


Os níveis de ardência das pimentas dependem de fatores ambientais e genéticos, como a variedade, o clima de onde são cultivadas, a idade da fruta, entre outros. Para classificar o grau de ardência das pimentas, usa-se, desde 1912, a escala de Scoville, nome foi dado em homenagem ao cientista e farmacologista Wilbur Scoville. Na escala de Scoville classifica-se quantas partes de água são necessárias para diluir uma determinada porção de pimenta, até que ela não arda mais. Em resumo, a escala Scoville faz os cálculos de quantas mil xícaras de água são necessárias para diluir 1 xícara de pimenta, por exemplo. No caso da famosa malagueta, seriam necessárias 60.000 xícaras de água para acabar com o seu ardor, visto que é detentora de 60.000 unidades Scoville.

Benefícios da pimenta para a saúde


Além de apreciada, por muitos, como tempero, começou-se a entender que pimenta é saudável  e também pode ser usada como medicamento. Em sua composição, ela apresenta vitaminas, propriedades analgésicas e anti-inflamatórias. Para os amantes da medicina natural, a pimenta é usada para aliviar dores de dente, de cabeça e estômago; controla os níveis de glicose no sangue; aumenta a capacidade pulmonar e ajuda no tratamento da rinite alérgica. Pesquisas recentes feitas na Faculdade de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) constataram que a pimenta é capaz, até mesmo, de diminuir riscos de doenças cardiovasculares. Outra boa notícia, é que a pimenta ajuda na obtenção da boa forma do corpo, já que ela possui uma substância que acelera o metabolismo e diminui a sensação de calor. Com a aceleração do metabolismo, o corpo fica quente e equilibra a temperatura externa e interna. 

Atuação das pimentas na culinária


Além da ardência, a pimenta possui cores e sabores para decorar os mais diversos pratos culinários. Constata-se, atualmente, que ela está presente na culinária de diversos países e são utilizadas nas mais diversas formas: cruas, cozidas, secas, em saladas, fritas, entre outras. Seu uso na culinária destaca-se principalmente no México e na Índia, mas também é comum o seu consumo na Coreia, Indonésia, Nepal, Tailândia, Turquia, e outras.

Pimentas campeãs de ardência segundo a escala Scoville


Mas, surge então a pergunta que não quer calar: qual é a pimenta mais ardida do mundo? A maioria das pessoas, quando indagadas aqui no Brasil, responde que é a pimenta malagueta, muito popular no país. No entanto, está errada a resposta. Talvez essas pessoas ainda não tiveram oportunidade de conhecer ou talvez saborear pimentas, como a 7 Pot Barrackpore, Naga Morish, Bhut Jolokia, Trinidad Scorpion, Schoth Bonnite, Butch Taylor e Moruga. Estas sim, são algumas das pimentas de maior pungência do planeta.

Veja, no gráfico abaixo, a escala das cinco pimentas mais ardidas do mundo, de acordo com a Revista Mundo Estranho:
Ranking das pimentas mais ardidas do mundo
Não mais seguindo a sequência numérica da escala Scoville, apresentamos abaixo algumas curiosidades sobre as pimentas mais populares, encontradas com maior facilidade e de uso corriqueiro na culinária:
Ranking das pimentas mais ardidas do mundo
Fontes: Mundo Estranho/Abril, Dave DeWitt, especialista em pimentas, Martin Bensinger, químico da Universidade do Novo México, e Dicionário Gastronômico: Pimentas, de Nelusko Linguanotto Neto; Rede record, abril, globo rural, g1.globo.com, pimentas online.
Por Silvana Teixeira.

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