quinta-feira, 20 de julho de 2017

Agropecuária mantém liderança na oferta de emprego em junho
Dados divulgados pelo governo mostram força do agro no total de novas carteiras assinadas
Brasília – A agropecuária foi, mais uma vez, o destaque positivo no saldo de carteiras assinadas em junho. O setor liderou a oferta de vagas com 36.827 novos postos de trabalho, segundo números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
Segundo Comunicado Técnico do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os setores do agro que apresentaram melhor desempenho em junho foram café, atividades de apoio à agricultura, laranja e soja.
O cultivo de café, principalmente em Minas Gerais, resultou em 10.804 novas vagas. Já as atividades de apoio à agricultura ofereceram 10.645 novos postos, concentrados especialmente em São Paulo.
Com o cultivo de laranja foram 7.409 vagas, a maior parte em São Paulo. E, por último, o setor de soja criou outros 2.480 postos, liderados por Mato Grosso, segundo a CNA.
Fonte: CNA

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Plantio de melancia com mandioca incrementa em 65% renda do pequeno produtor



Foto: Clarice Rocha
Clarice Rocha -
Plantar melancia consorciada à mandioca garante segurança financeira ao pequeno produtor, com incremento de 65% na renda. É o que mostram resultados de uma pesquisa realizada pela Embrapa Roraima em Boa Vista, entre 2013 e 2016. No experimento, a colheita da melancia foi feita a partir de 60 dias da semeadura, se estendendo por mais dez dias, com produtividade média dentro do esperado: 38.615 quilos por hectare de frutos. Já a colheita da macaxeira se deu próxima aos 300 dias, com uma produtividade média de 20 mil quilos por hectare (média de oito quilos por planta). Nos três anos da pesquisa, o sistema consorciado obteve uma receita líquida de R$ 16.264,50 por hectare, e a mandioca foi responsável por R$ 6.430,00 dessa renda.
A pesquisa mostrou que o consórcio da melancia com a mandioca, além de diversificar a produção, melhora o uso da terra pela agricultura familiar, já que a raiz acaba se beneficiando da adubação e da irrigação que já está sendo feita para a cultura do fruto, o qual não sofre nenhuma interferência negativa no seu desenvolvimento por causa do consórcio.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Roberto Dantas, que conduziu os experimentos em Roraima, a integração entre as culturas traz segurança ao pequeno produtor e diminui o risco de perdas. Isso porque a exploração da melancia ocorre principalmente durante a época de estiagem, que no Brasil se estende de setembro a abril. “Nesse período, há um favorecimento ao aumento das pragas dessa cultura, com elevação das perdas”, explica.
“O ciclo da melancia varia de dois a três meses; assim, durante o período que não houver produção de frutos, o agricultor terá renda extra com o cultivo da macaxeira, que apresenta ciclo mais longo, de 12 a 24 meses”, complementa Dantas.
Os trabalhos foram conduzidos no Campo Experimental Água Boa, em Boa Vista (RR). Testaram-se diferentes arranjos espaciais e épocas de plantio da cultivar de mandioca Aciolina em relação à semeadura da melancia, cultivar Crimssom Sweet.
A cultura da macaxeira foi disposta entre as plantas da melancia, mantendo espaçamento de quatro metros entre linhas por um metro entre covas de macaxeira, com semeadura de ambas as lavouras na mesma data.
Custos de produção
As pesquisas desenvolvidas também estimaram a média dos custos de produção e rentabilidade por hectare durante três anos subsequentes do consórcio.
Os dados apontaram que o sistema consorciado obteve uma receita líquida de R$ 16.264,50 por hectare. O custo de produção da melancia ficou em R$ 13.165,50 para uma receita bruta de R$ 23.000,00, resultando numa receita líquida de R$ 9.834,50 por hectare. Por outro lado, a macaxeira teve um custo de produção de R$ 1.900,00 para uma receita bruta de R$ 8.330,00, resultando numa receita líquida de R$ 6.430,00.
De acordo com o agrônomo da área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Roraima Admar Bezerra, que acompanhou os trabalhos, o sistema de produção da melancia em consórcio com a mandioca obteve boa rentabilidade, diminuindo o risco do investimento em relação ao cultivo exclusivo da melancia.
Produtor satisfeito
Após observar os resultados alcançados na área experimental da Embrapa, o produtor Elton da Silva Dias, de Boa Vista (RR), iniciou, em 2016, o primeiro plantio de melancia consorciada à mandioca. Com 20 hectares cultivados, o agricultor está satisfeito com os números alcançados.
“Não constatamos interferência na produtividade da melancia. Quanto à macaxeira, vamos iniciar a colheita em breve, mas fizemos uma avaliação da produção, em que coletamos e pesamos diversas plantas; isso nos permitiu estimar com segurança uma produtividade acima de 25 toneladas por hectare”, conta Dias.
Outras vantagens do consórcio destacadas pelo produtor foram o sombreamento para o fruto da melancia, a quebra do ciclo de pragas e, principalmente, a segurança financeira, com a garantia de uma segunda receita através da macaxeira. “Posso dizer que acabo tendo um seguro contra eventuais danos que possam ocorrer com a melancia, cultura considerada de alto risco levando em conta as chuvas e incidências de pragas e doenças, principalmente as viroses, que chegam a causar grandes prejuízos.”
Mercados
A cultura da melancia desperta interesse de produtores pela facilidade de adaptação ao clima brasileiro, boa aceitação dos frutos no mercado e rápido retorno econômico. Pertencente à família do melão, abóbora e maxixe, a melancia se adapta melhor ao clima quente e seco. O retorno financeiro vem em pouco tempo, já que a colheita do fruto ocorre entre 60 e 75 dias após o plantio.
IBGE registrou, em 2012, 28 estados brasileiros produtores de melancia, sendo os principais Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e São Paulo. As principais cultivares utilizadas no mercado nacional são Crimson Sweet, Top Gun, Santa Amélia e Verena.
Já a mandioca é cultivada em todas as regiões do Brasil, tendo como maiores produtores os estados do Pará, Paraná e Bahia, conforme dados de 2014 do IBGE. Seu cultivo desempenha um papel importante tanto como fonte de alimento como geradora de emprego e renda, principalmente nas regiões Nordeste e Norte.
A mandioca pode ser classificada como de mesa (mansa) e de indústria (brava). A primeira, conhecida também como aipim e macaxeira, é utilizada para consumo fresco humano e animal; já a mandioca de indústria é indicada para a produção de farinha e fécula.

 
Clarice Rocha (MTb 4733/PE)
Embrapa Roraima

Telefone: (95) 4009-7114
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
O desenvolvimento da cadeia produtiva da Hortifruticultura no Maranhão
Quando se pensa em estruturar uma cadeia produtiva a fim de que ela tenha autonomia após a saída dos agentes promotores desse desenvolvimento, como o poder público estadual e municipal, deve-se estimular uma estruturação sólida para que essa autonomia seja forte perante as adversidades que hoje o setor agrícola do país, enfrenta.
A tarefa é árdua e requer ações coordenadas dos stakeholders (Uma pessoa ou grupo que tem interesse em uma empresa, negócio ou indústria, podendo ou não ter feito um investimento neles), e de stewardship (administrador/gerente), o que torna o desafio ainda maior.
Para o sucesso de ações que ajudem no desenvolvimento da cadeia produtiva da hortifruticultura, devemos analisar os objetivos almejados, bem como a situação vivenciada, para em seguida, traçar uma estratégia para alcançá-los.
A criação de uma estratégia que faça a projeção do negócio num momento futuro perpassa pelos recursos físicos requeridos, mais os procedimentos que padronizam as ações que melhoram a utilização da tecnologia disponível e recursos humanos que irão utilizar esses insumos e essa tecnologia para executar os processos que atenderam as estratégias definidas.
Para projeções desse conjunto de etapas da hortifruticultura é necessário conhecer o mercado, entender os acontecimentos que afetam a cadeia produtiva, seus negócios e uma melhoria da gestão e da eficiência operacional dos empreendimentos que estão relacionados a ela.
Produtividade
Tendo em vista que o consumo doméstico médio de hortaliças pelo brasileiro gira em torno de 27 quilogramas por ano (na Coreia do Sul, o consumo médio anual é de 170 quilogramas por habitante), fica evidente que os esforços dispendidos devem focar no aumento deste consumo, assim como no incremento da produtividade.
A cadeia da hortifruticultura há algum tempo vem sofrendo com a falta dessas ações e o resultado é a vulnerabilidade da atividade hortícola tornando premente o desenvolvimento de sistemas e práticas que incremente a eficiência no uso de insumos visando à sustentabilidade.
Os inputs principais para o fortalecimento desta cadeia devem estar alicerçados em uma proposta de valor baseada em soluções, como maior disponibilidade no mercado local e regional de fertilizantes e defensivos, voltados para apoiar a hortifruticultura.
Estes insumos também precisam se adequar aos volumes desejados que, em geral, por predominar em pequenas propriedades a atividade necessita de quantidades menores. No caso dos defensivos, o problema esbarra na dificuldade de encontrar nas revendas regionais produtos com as classes toxicológicas mais recomendadas para a hortifrucultura devido em sua maioria serem produtos consumidos in natura pelo consumidor final e com ciclos curtos de produção.
Outro serviço de valor agregado como o fornecimento de sementes fiscalizadas e resistentes a pragas e doenças comuns em regiões produtoras, deve estar à disposição dos produtores rurais, a fim de garantir um incremento na produtividade. A dificuldade na obtenção de sementes fiscalizadas e de boa procedência desfavorece o desenvolvimento da cadeia produtiva na região, pois além de gerar insegurança ao produtor, eleva os custos de produção com fretes de pequenas quantidades.
A assistência técnica e gerencial, hoje, oferecida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar/MA por meio do Programa Mais Produção do governo do Estado, é um importante serviço de agregação de valor na estruturação desta cadeia, pois leva o produtor ao papel de protagonista do processo de desenvolvimento sustentado, com orientações construídas de forma participativa. Essa abordagem inovadora para os moldes dos serviços de assistência técnica desenvolvidos anteriormente, auxilia o produtor a entender os padrões de criação de valor da sua atividade.
Não podemos esquecer que estabelecer as diretrizes para a execução de ações que venham a fortalecer a cadeia produtiva da hortifrucultura também passa por outputs relevantes, como a distribuição/venda e produtos.
Para um processo de entrega de valor consolidado é necessário a segmentação de mercado, selecionar o mercado-alvo adequado, fornecer o valor atribuindo ao preço e distribuição do produto, além de uma comunicação adequada.
A melhoria das condições de comercialização, seja por meio de feiras, mercados ou centrais de distribuição, devem ser estimuladas e fomentadas para que o produtor tenha maior segurança para produzir, eliminando parte das incertezas de preços, deixando-o mais focado em melhorias dos resultados operacionais em busca de resultados cada vez mais promissores.
Os desafios dos produtores hortifrutícolas, dos técnicos, dos gestores públicos e privados são principalmente o de identificar problemas e gerar alternativas para dirimi-los, visualizar oportunidades, planejar e controlar eficientemente cada atuação, assim como apoiar as decisões e assegurar a competitividade, garantindo a lucratividade e a sobrevivência dessa importante cadeia produtiva.
*Selma Regina de Freitas CoelhoEng. Agronoma, Msc. Recursos Florestais, MBA em Gestão de Negócios
Técnica do Senar/MA, Professora substituta da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.

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