terça-feira, 27 de março de 2012

Mangais (ou mangue, ou manguezal) - Ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes terrestre e marinho, característicos de zonas baixas de rios, estuários, baías e orlas costeiras tropicais e sub-tropicais. São zonas húmidas influenciadas pelas marés, dominadas por várias plantas lenhosas (arvores e arbustos) adaptadas a viver em água salgada ou salobra e onde existem ainda várias espécies herbáceas epífitas e aquáticas. Estima-se que cubram até 75 por cento destas costas, onde desempenham um importante papel ecológico. Por exemplo, em Queensland, na Austrália, perto de 80 por cento das espécies de peixes e crustáceos comerciais, passam parte das suas vidas protegidos entre as raízes dos mangais. Por isso, em vários países, são habitats protegidos por lei, de modo a que o seu equilíbrio, e de todas as espécies que deles dependem, não seja perturbado.

Educação ambiental

             Segundo a Carta de Belgrado, que resultou do Colóquio sobre Educação Relativa ao Ambiente, realizada em Belgrado, em 1975, o conceito básico de Educação Ambiental é “formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os seus problemas, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de compromisso que lhe permitam trabalhar individual e colectivamente na resolução das dificuldades actuais e impedir que elas se apresentem de novo”. É uma área de especial interesse, reconhecida na resolução da ONU em decretar a “Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável: 2005-2014”, cujo principal objectivo é encorajar os governos dos países membros da ONU a integrar o conceito de desenvolvimento sustentável nas suas políticas educacionais e nos processos de aprendizagem, de forma criar uma consciencialização profunda e duradoura na sociedade.

domingo, 18 de março de 2012

A Carta da Terra - texto completo



A CARTA DA TERRA
PREÂMBULO 

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações. 

Terra, Nosso Lar 
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado. 

A Situação Global 
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis. 

Desafios Para o Futuro 
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes. 

Responsabilidade Universal 
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem- estar da família humada e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relaçao ao lugar que ocupa o ser humano na natureza. 

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada. 

PRINCÍPIOS 

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA
  • 1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
    • a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
    • b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
  • 2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
    • a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
    • b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
  • 3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
    • a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
    • b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
  • 4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
    • a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
    • b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessario: 

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
  • 5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
    • a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
    • b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
    • c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
    • d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
    • e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de formas que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
    • f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

  • 6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
    • a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
    • b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
    • c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
    • d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
    • e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

  • 7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
    • a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
    • b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
    • c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
    • d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
    • e. Garantir acesso universal a assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
    • f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

  • 8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
    • a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
    • b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
    • c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
  • 9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
    • a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não- contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
    • b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter- se por conta própria.
    • c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

  • 10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimeto humano de forma eqüitativa e sustentável.
    • a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
    • b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
    • c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
    • d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.

  • 11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência desaúde e às oportunidades econômicas.
    • a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
    • b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
    • c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

  • 12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
    • a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
    • b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
    • c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
    • d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
  • 13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
    • a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
    • b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
    • c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
    • d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
    • e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
    • f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus própios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

  • 14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
    • a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
    • b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
    • c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
    • d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

  • 15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
    • a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de desofrimentos.
    • b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
    • c.Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

  • 16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
    • a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
    • b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
    • c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não- provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
    • d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
    • e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
    • f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE 

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta. 

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria. 

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não- governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva. 

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento. 

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
fonte: EcoDesenvolvimento.org

quinta-feira, 8 de março de 2012


8 de março

de Sandra Mamede

Até parece uma grande coisa, terem estabelecido uma data específica para as mulheres.
Na verdade, a mulher não precisa de um dia específico, de uma data pré-estabelecida, o seu dia, são todos os dias, pois estão vivas e são atuantes independentemente de dia, na verdade, nunca têm folga!
As mulheres, sempre foram discriminadas, sempre estiveram em segundo lugar na escala de valores, e tudo isso se deve a esse regime patriarcal e machista em que vivem. Mas apesar disso tudo, elas estão cada vez mais conquistando o seu espaço e o seu lugar na sociedade.
Já foi comprovado estatisticamente, que a mulher sofre discriminação em todas as áreas, principalmente na parte profissional, pois a mulher mesmo sendo muito competente, quando ocupa o mesmo cargo de um homem, o seu salário é bem menor. mas os homens não são os únicos culpados, pois essa discriminação existe por parte das próprias mulheres. Uma mulher, geralmente não confia em outra para exercer um cargo importante e de confiança.
Ser "feminista", não foi e nunca será a solução. A mulher não precisa se masculinizar para ser respeitada, achando que somente dessa forma ela poderá ser reconhecida e valorizada, pois mesmo sendo feminina, ou melhor, principalmente sendo feminina, ela pode mostrar o seu valor e a sua capacidade. A mulher sabe que dispõe de muitas "armas" em seu favor, pois mesmo mostrando "fragilidade", ela pode ser forte e decidida, e dessa forma, tirar da sua "sensibilidade" a força de que precisa.
Mesmo vivendo nessa dura realidade, ela não deve perder o seu romantismo. Deve saber transformar a rotina do seu dia-a-dia, numa sucessão de novidades e descobertas, nunca desistindo dos seus sonhos. Mesmo quando estiver fraca, deve se mostrar forte e lutar sempre pela sua independência. Deve de tudo tirar uma lição de otimismo, pois em cada erro que ela cometer, é um ganho de experiência, para se transformar numa tentativa de um futuro acerto, pois errando, se aprende também. Deve ser resistente nas intempéries da vida, pois ela própria é vida, tem vida e gera vida, sendo assim, sabe a noção exata do que significa a palavra "AMOR" e "AMAR".
A mulher, com o seu jeitinho, e a sua delicadeza, soube galgar e conquistar o seu degrau na escada da vida, que inclui o seu lado profissional, o seu lado familiar e o seu lado pessoal. Assim sendo, ela nunca deve tentar se impor pela força, querendo mostrar "igualdade" com os homens, pelo contrário, ela deve fazer questão de ser sempre o "sexo frágil" e ter consciência, que "fragilidade", não significa fraqueza. Essa "fragilidade" na verdade, significa "sensibilidade".
A mulher inteligente, deve fazer questão de ser tratada e considerada com um "vaso mais frágil", para ser tratada com respeito, com carinho, com amor, com cuidado,e é nesse momento que ela mostra a "força" que tem.
Ser forte, não significa gritar, para ser ouvida e para chamar, se isso pode ser feito com uma voz doce e carinhosa. Não precisa exigir para conseguir as coisas, se com um jeitinho especial pode pedir e ser atendida. Não precisa "medir forças", "enfrentar", pois a sua força está na persuasão. Não precisa se "armar" pensando que está numa guerra física, achando que é vergonhoso recuar, pensando que com essa atitude perdeu a batalha, porque às vezes para se ganhar uma guerra, é preciso recuar, se fortalecer para então avançar com mais força, mais segurança, mais convicção e então atingir o seu alvo e conseguir o seu objetivo e assim vencer.
Por isso tudo, viva a mulher, não somente no dia 8 de março (dia da mulher), não somente no segundo domingo do mês de maio (dia das mães), não somente no dia das avós (que é mãe e mulher duas vezes), Mas sim, viva a mulher, todos os dias, todas as horas, todos os minutos e todos os segundos, porque a "mulher" é sempre "mulher" todo o tempo.

quarta-feira, 7 de março de 2012


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse hoje (25) que as relações entre órgãos ambientais no Brasil estão polarizadas entre o licenciamento e a fiscalização. “Meio ambiente é muito mais do que isso”, ressaltou. Para ela, tais órgãos continuam aparecendo como atores secundários nos debates que resultam em políticas públicas.
Ao participar da abertura do 2º Encontro Brasileiro de Secretários de Saúde, em Porto Alegre, Izabella avaliou que há um reconhecimento de uma crise global, não apenas econômica, mas de valores éticos, comportamento e insumos.
“Aquele discurso que, há mais de 20 anos, os ambientalistas vêm formulando começa a ganhar entendimento e contorno. Não para uma revisão do paradigma, mas sobre como podemos avançar no paradigma do desenvolvimento sustentável”, disse Izabella no encontro que ocorre paralelamente ao Fórum Social Temático 2012 (FST), em Porto Alegre.
A ministra destacou ainda que o país vive um ponto de inflexão na agenda ambiental que, segundo ela, é de vanguarda e deve permanecer assim. A principal tarefa diante da proximidade da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), agendada para junho no Rio de Janeiro, é pensar além do que foi o legado da Rio 92, realizada há 20 anos na capital fluminense.
“A conferência trata de processos, de uma visão mais abrangente, de negociação, de inclusão política e de inclusão de todos os atores”, disse. “Quando a gente discute a questão de aterro social, por exemplo, também temos que discutir a inclusão social dos catadores, a reciclagem, a geração de emprego, a geração de renda e a dignidade dessas pessoas. Isso é meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento. Não é só licenciar o aterro”, completou.
Sobre a polêmica em torno da aprovação do Novo Código Florestal pelo Senado Federal, Izabella ressaltou que o ministério não pode ficar “a reboque de uma agenda que tem poder político imenso” e que é preciso procurar caminhos de convergência e de diálogo. “Tem sido muito difícil fazer esse exercício de negociação política. Por mais que a gente pactue, as negociações são extremamente complexas e difíceis”.
“O debate do código segue, não se encerrou. Estamos fazendo uma avaliação do cenário. Ainda tem pedreira pela frente mas, se não tivermos o apoio para convergência e para aquilo que foi construído, muito dificilmente a gente poderá superar algumas barreiras”, concluiu a ministra.
fonte: j2012.com.br




Brasil formaliza acordos com Alemanha na área de energias renováveis


Com a presidenta Dilma Rousseff em viagem oficial à Alemanha, o Ministério das Relações Exteriores publicou nesta segunda-feira (5), no Diário Oficial da União, decretos formalizando parcerias e acordos financeiros na área de energias renováveis e eficiência energética entre os dois países. Com os acordos, o Brasil (ou outro país, desde que em comum acordo) terá direito a empréstimo de até 52 milhões de euros, com juros reduzidos, para desenvolver projetos nessas áreas.
Os acordos estão previstos desde maio de 2008 e têm como objetivo desenvolver a infraestrutura de energia sustentável para assegurar sua oferta e uso seguro e sustentável. Fazem parte desse rol as energias de fonte hidráulica, eólica, solar, geotérmica, oceânica, de biomassa, resíduos sólidos e biocombustíveis.
Os primeiros grupos de trabalho a serem criados no âmbito das parcerias serão na área de biocombustíveis, visando à troca de informações sobre temas de comércio, padronização, certificação ambiental e social, e produção e uso de biocombustíveis. A parceria abrangerá, ainda, o desenvolvimento de tecnologias “inovadoras” de propulsão.
Agência Brasil

Mais pessoas têm acesso à água potável no mundo, mas carências ainda são imensas, alerta ONU



O mundo atingiu o ODM ao reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável (Foto: ABr)

Por Renata Giraldi
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou, por meio de relatório, que o mundo atingiu o chamado Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) ao reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável. O documento alerta, no entanto, que o mundo ainda está longe de atingir a meta de saneamento. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que é necessário manter os esforços para avançar: ´É preciso assegurar que todas as pessoas tenham acesso aos mesmos´.

O relatório aponta também as fragilidades das áreas rurais, evidenciando que nos países menos desenvolvidos, 97 em cada 100 pessoas não têm água canalizada e 14% da população bebem água de superfície - dos rios, das lagoas e dos lagos.

O relatório foi elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e lançado simultaneamente em Genebra (Suíça) e Nova York (Estados Unidos). O documento intitulado Programa de Monitoramento Conjunto para o Abastecimento de Água e o Saneamento analisa o período de 1990 a 2010.

O relatório constata que mais de 2 bilhões de pessoas passaram a ter acesso a fontes de água de melhor qualidade, com abastecimento canalizado e poços protegidos. No fim de 2010, 89% da população mundial, o equivalente a 6,1 bilhões de pessoas, usaram fontes melhoradas de água potável - acima da meta dos 88% traçados pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

A estimativa é que até 2015, 92% da população global terão acesso à água potável melhorada. Mas, pelo menos 11% da população mundial, o equivalente a 783 milhões de pessoas, continuam a não ter acesso à água potável. De acordo com os dados, 1,1 bilhão de pessoas continua sem redes de esgoto, e cerca de 4 mil crianças morrem diariamente por doenças diarréicas associadas à falta de qualidade da água.

´Os números são ainda chocantes´, disse o diretor executivo do Unicef, Anthony Lake. ´Mas os progressos anunciados demonstram que as metas dos ODM podem ser alcançadas, com vontade, esforço e fundos´, acrescentou.

Com base no relatório, apenas 63% da população mundial têm acesso a saneamento de qualidade. A previsão é que até 2015 esse percentual atinja 67%.  ´Melhorar a qualidade da água, do saneamento e das condições de higiene é fundamental para promover a saúde humana e o desenvolvimento´, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.
fonte: Agência Brasil

Como a Costa Rica se tornou o país mais verde e feliz do mundo



Costa Rica planeja voltar a quase mesma quantidade de cobertura vegetal dos anos 40 (Foto: Reuters)

Você sabia que a Costa Rica, país que já foi eleito o mais verde e feliz do mundo, devastava 50 mil hectares de florestas por ano em 1983? E como será que o país conseguiu reverter esta taxa pouco mais de uma década depois, chegando ao desmatamento zero em 1998? Esta e outras questões sobre a trajetória da Costa Rica foram abordadas em um artigo publicado no site Our World.

O país possuía, na década de 1940, mais de 75% da superfície coberta por mata nativa, principalmente tropical. Devido à derrubada ilegal, este número caiu para 26% em 1983 (ano em que a taxa de desmatamento chegou a 50 mil hectares anuais). Em 1998, contudo, a taxa de desmatamento chegou a zero e, dez anos mais tarde, a cobertura florestal passou a ocupar 52% do território - número que deve chegar a 70% em 2021, de acordo com as autoridades locais.

Metade do PIB da Costa vem do turismo ecológico e de aventura

Para gerar esta mudança, um dos pontos principais foi o desmantelamento do exército, em 1948, que permitiu redirecionar recursos destinados à defesa para programas sociais e ambientais. Outra iniciativa costarriquenha foi a implementação de um programa de remuneração por serviços ambientais, que estimulou proprietários de terras e comunidades rurais a conservar as matas em troca de benefícios financeiros.

Além disso, desde 1996 o país possui um Fundo Florestal Nacional, que aprofundou ainda mais o programa de pagamento de subsídios para a conservação. Já foram destinados mais de 230 milhões de dólares para pagamentos ambientais e foram criados 18 mil postos de trabalho, o que contribuiu indiretamente para manter outros 30 mil.

Atualmente, 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país vem do turismo ecológico e de aventura, índice que a transformou em uma das experiências mais bem-sucedidas em turismo sustentável do mundo.

Outra lição do país na questão ambiental é energético: 99,2% da energia vem de fontes renováveis. Em suma, a Costa Rica representa um exemplo do que a fórmula ‘menos forças armadas, mais conservação e desenvolvimento social’ pode gerar.
EcoDesenvolvimento
fonte: domtotal.com

terça-feira, 6 de março de 2012

Brasil será protagonista do Dia Mundial do Meio Ambiente 2012


O Brasil será protagonista da edição de 2012 do Dia Mundial do Meio Ambiente, que acontece em 5 de junho.
A mensagem do evento é de que as ações individuais podem ter um impacto importante sobre o planeta, ajudando a reduzir a poluição.
"Celebrando o Dia Mundial no Brasil em 2012, estamos voltando para as raízes do desenvolvimento sustentável contemporâneo para definir um novo caminho que reflita as realidades, mas também as oportunidades do novo século", disse Achim Steiner, Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Os eventos no Brasil se somam a outras iniciativas em várias partes do mundo, desde maratonas até dias sem carros.
O diretor justifica a escolha da ONU explicando que o governo brasileiro se comprometeu a combater o desmatamento da Amazônia, reduzindo as emissões do gás causador do efeito estufa. Além disso, no Brasil, a reciclagem garante emprego a milhões de pessoas.
Outra iniciativa brasileira destacada por Steiner, é a construção de 500 mil novos prédios com estruturas de energia solar que permitiu a criação de 300 mil postos de trabalho.
(Com Ansa)

Universalização da assistência técnica e extensão rural é tema de conferência


O Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (Cedrs) e a Delegacia do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Roraima (SFMDA) deram início às atividades da I Conferência Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (CEATER) na manhã de hoje, 6. No evento, representantes de órgãos públicos e da sociedade civil debatem o papel da assistência técnica e irão propor diretrizes para a política nacional de assistência técnica e extensão rural.
As atividades acontecem hoje e amanhã, 7, no auditório da Academia de Polícia Integrada, no bairro Canarinho. O tema central da Conferência Estadual é “Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária e o Desenvolvimento Sustentável do Brasil Rural” e dentro deste assunto serão tratados temas como o Desenvolvimento Rural Sustentável, Diversidade da Agricultura Familiar e a Redução das Desigualdades, Políticas Públicas, Gestão, Financiamento, Demanda e Oferta dos Serviços e Metodologias e Abordagens de Extensão Rural.
A etapa estadual foi precedida de quatro reuniões territoriais envolvendo todos os municípios, onde foram eleitos 33 delegados titulares e seus respectivos suplentes. Para a conferência nacional serão eleitos 15 representantes.
A delegada federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em Roraima, Celia Souza, salientou que nos últimos anos o Brasil vem combinando crescimento econômico com redução de desigualdades sociais e que a assistência técnica rural desempenhou papel relevante neste contexto. “A partir da construção da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural [Pnater], a conferência é o momento em que os diversos atores do processo de desenvolvimento rural podem dialogar sobre os rumos desse importante e estratégico serviço público”, disse.
A chefe da Divisão de Desenvolvimento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-RR), Rosé Ferreira, ressaltou o compromisso do governo federal para com o desenvolvimento da classe trabalhadora, em especial no ramo da agricultura. “A conferência é o primeiro passo para que haja uma integração dentro das esferas do poder público com a sociedade civil, para que as políticas públicas cheguem ao homem do campo”, frisou.
O evento contou ainda com a participação de representantes de órgãos públicos e da sociedade civil que veem o evento como uma oportunidade de expor a realidade da classe e propor ações que facilitem o acesso deles às políticas públicas, conforme salientou o presidente da Central dos Assentados de Roraima, Ricardo Brito. “Na etapa nacional, um dos assuntos que devem ser levantados é a agricultura familiar sustentável, sem que haja um conflito com as legislações ambientais”, pontuou. Já Luiz Carlos Gomes, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Roraima (Fetag), salientou a necessidade de ações que façam com que as políticas públicas abordadas durante o evento cheguem de fato às famílias rurais.
A abertura do evento foi encerrada com uma panorâmica sobre a situação campestre no Estado. Ao falar sobre o cenário local, o presidente do Cedrus e secretário estadual de Agricultura, Chico Rodrigues, ressaltou que a agricultura familiar é um tema recorrente. “No entanto, não bastam as inovações tecnológicas se não discutirmos como transferir esta tecnologia para o produtor rural”, concluiu.
 Fonte: BV News

OVERDOSE PARTE II

Efeitos agudos das drogas de abuso - Parte II 
Acute effects of drugs of abuse 

Thompson, JP 

Clinical Medicine (The Journal of the Royal College of Physicians), vol 3 (2), 123-126, 2003 

Este artigo, elaborado por John Thompson, professor titular da disciplina de Farmacologia Clínica da Universidade Wales College of Medicine no Reino Unido discute os principais efeitos agudos das drogas de abuso e o manejo clínico na intoxicação aguda e overdose destas substâncias. Na semana passada, falamos da heroína e cocaína e nesta semana, o ecstasy, o LSD, o GHB e o cannabis serão discutidos em detalhes. 

 
ECSTASY (3,4-metilenedioximetanfetamina) 

O Ecstasy é uma anfetamina semi-sintética, particularmente popular em ambientes noturnos que tocam músicas eletrônicas. O ecstasy é habitualmente consumido em comprimidos ou cápsulas, contendo cerca de 30 a 150 mg de MDMA, porém, análises mais detalhadas têm mostrado que muitos outros produtos estão geralmente presentes. 

Intoxicação 

Os efeitos da intoxicação aguda pelo ecstasy são decorrentes dos efeitos adrenérgicos e serotoninérgicos (5HT) centrais e periféricos. O ecstasy produz um quadro de euforia e bem-estar, sensação de intimidade e proximidade com os outros. Outros efeitos são diminuição do apetite, taquicardia, tensão maxilar, bruxismo e sudorese. A duração dos efeitos é 4 a 6 horas e o desenvolvimento de tolerância rápida impede o uso compulsivo e aditivo. 
Crises hipertensivas, precordialgias, arritmias cardíacas, hepatites tóxicas, hipertermia, convulsões, rabdomiólise e morte já foram relatadas. Mortes súbitas podem ocorrer em decorrência de arritmias cardíacas supraventriculares ou ventriculares, e mortes tardias podem ocorrer em decorrência de hipertermia, síndrome neurolética malígna ou falência hepática. Casos de hemorragia cerebral, infarto e falência hepática já foram relatados. A hiponatremia ocorre devido a uma secreção inapropriada do hormônio anti diurético somada a uma ingestão insuficiente de líquidos. 
Sintomas ansiosos e psicóticos agudos e crônicos (em indivíduos predispostos) podem aparecer. Relatos de casos também demonstraram alterações importantes no humor e cognição de usuários crônicos. 

Tratamento 

O tratamento para a intoxicação pelo ecstasy é sintomático e suportivo. Um ECG deve ser obtido, o médico deve solicitar um hemograma, provas de função renal e hepática, uréia e creatinina e em casos graves deve-se descartar a presença de coagulação intravascular disseminada (CIVD). Para intoxicações moderadas, a pressão arterial e a temperatura devem ser monitoradas por pelo menos 12 horas e agitações e convulsões devem ser controladas com benzodiazepínicos. 
A hipertensão pode ser tratada com nitratos ou antagonistas de canais de cálcio e a hipotensão com fluidos intravenosos. 
Em casos graves, a dopamina pode ser necessária, uma vez que os fluidos já foram repostos. Se a temperatura exceder 39º, o organismo deve ser resfriado com água morna e o dantrolene pode ser necessário para diminuir a produção de calor conseqüente à hiperatividade muscular. Se estas manobras forem insuficientes para controlar a hiperpirexia (elevação acentuada da temperatura corpórea), a ventilação mecânica com agentes que paralisam a musculatura pode ser necessária. O ciproheptadine que é um antagonista do 5HT também pode ser utilizado. 

Tabela 3. Efeitos agudos da intoxicação pelo ecstasy
DOSES MODERADASDOSES ALTAS

  • Agitação

  • Ansiedade

  • Insônia

  • Boca seca

  • Dilatação pupilar

  • Hipertensão


  • Delirium

  • Nistagmo

  • Tremor

  • Coma

  • Hiperreflexia

  • Convulsões

  • Hiperpirexia

  • Rabdomiólise

  • Síndrome da fadiga respiratória do adulto

  • Hipertensão seguida de hipotensão


  •  
    LSD (ácido lisérgico dietilamida) 

    O LSD é usualmente ingerido através de papéis, comprimidos ou cápsulas. É um potente agonista de receptores 5HT1 e 5HT2. Os efeitos agudos incluem confusão, agitação, alucinações visuais, dilatação pupilar e ocasionalmente aumento da temperatura. O LSD possui baixa toxicidade, porém a overdose pode levar à acidose metabólica, coma e dificuldade respiratória. Ansiedade, despersonalização, paranóia e hiperacusia também podem ocorrer. Ilusões são comuns porém alucinações francas são raras. Usualmente, os pacientes melhoram em poucas horas, embora alguns casos levem até dois dias para obter melhora. 

    A síndrome neuroléptica malígna pode ocorrer. Reações crônicas incluem flashbacks, depressão severa, reações psicóticas prolongadas e exacerbações de doenças mentais pré-existentes. A tolerância ocorre rapidamente. 

    Tratamento na intoxicação 

    Geralmente o tratamento é sintomático e suportivo. Pacientes devem ser colocados em ambientes calmos com o menor número de estímulos possível. Os benzodiazepínicos são considerados o tratamento de escolha para sedação. Fenotiazinas devem ser evitadas em função de casos de colapso cardiovascular anteriormente relatados. 

     
    GHB (gamahidroxibutirato) 

    O GHB foi originalmente desenvolvido como um agente anestésico, mas que deixou de ser usado por desencadear irritabilidade intensa após a cessação de seus efeitos. Atualmente é utilizado como uma droga psicodélica, administrada em sua forma líquida. 
    Embora os efeitos da intoxicação sejam dose dependentes, há uma variabilidade individual para tais efeitos. Seus efeitos clínicos (listados na tabela 4) são potencializados pelo álcool, benzodiazepínicos e outros depressores do sistema nervoso central. 
    Tipicamente seus efeitos iniciam após uma hora da ingestão da droga ou após poucos minutos da droga injetada. Pacientes inconscientes geralmente retomam o nível de consciência após 2 a 3 horas. Usuários crônicos podem desenvolver sintomas de abstinência como: tremores, confusão, agitação, insônia, náusea e vômitos. 


    Tabela 4. Efeitos da intoxicação pelo GHB
    LEVEMODERADO/GRAVE

  • Euforia

  • Náusea

  • Sonolência

  • Cefaléia

  • Ataxia

  • Confusão

  • Agitação

  • Hiponatremia


  • Bradicardia

  • Hipotensão

  • Depressão respiratória


  • Tratamento da intoxicação 

    Pacientes assintomáticos devem ser observados por pelo menos 2 horas. A naloxona pode ser utilizada para reverter os efeitos do GHB e pode ser considerada em casos de coma e depressão respiratória. Os benzodiazepínicos podem ser utilizados para sintomas de abstinência ou crises convulsivas. A bradicardia severa pode responder à atropina. 

     
    CANNABIS 

    O cannabis é uma droga muito utilizada no mundo e que produz um estado de excitação seguida de relaxamento. É usualmente fumada, porém também pode ser ingerida oralmente. Receptores canabinóides específicos foram identificados recentemente. 

    Mortes decorrentes dos efeitos agudos do cannabis são raras, muito embora, acidentes possam ocorrer em função do prejuízo psicomotor desencadeado pela substância. 

    Agudamente, os efeitos do cannabis podem causar prejuízo da coordenação, euforia, ansiedade, hipotensão, taquicardia, prejuízo do julgamento, hiperemia conjuntival, taquicardia, boca seca e estimulação do apetite. 


    Efeitos a longo prazo 

    Os efeitos do uso intenso do cannabis incluem a síndrome amotivacional (desânimo intenso e contínuo) e os efeitos decorrentes do cannabis fumado são semelhantes aos do tabaco, como doença pulmonar obstrutiva crônica, carcinomas pulmonares e doenças cardiovasculares. 
    Ainda se discute muito se o cannabis causa doenças psiquiátricas crônicas ou se meramente desencadeia condições predisponentes ou piora quadros sub clínicos pré-existentes. 

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