segunda-feira, 15 de maio de 2017

Como controlar a compactação do solo

A compactação vem-se tornando um dos principais impactos causados ao solo pelo tráfego intenso de máquinas agrícolas em condições de solo úmido, pela ausência de rotação de culturas e consequente redução de teores de matéria orgânica do solo, principalmente em solos argilosos.
Os efeitos da compactação do solo são:
– aumento da densidade;
– resistência mecânica;
– diminuição do volume de poros.
Em virtude desses efeitos, a energia com a qual a água é retida pelo solo aumenta, enquanto a capacidade de infiltração de água da chuva e a condutividade hidráulica do solo são reduzidas, o que diminui a disponibilidade hídrica à soja.
A compactação limita o crescimento radicular da soja, diminuindo o volume de solo explorado pelas raízes em busca de água e nutrientes. Por outro lado, a compactação dificulta a drenagem do excesso de água, podendo limitar a disponibilidade de oxigênio às raízes. Assim, a compactação do solo reduz a produtividade da soja, principalmente em anos secos ou com excessos de chuvas.

Como identificar e monitorar

 – Abertura de trincheiras (50 cm de profundidade) para a avaliação da distribuição, do formato e da orientação das raízes;
– Concentração superficial, raízes grossas e achatadas, com aspecto recurvado e orientação vertical prejudicada, são indícios de compactação excessiva do solo;
– Em estruturas do solo compactado há poucas raízes, baixa atividade biológica e ausência quase que completa de orifícios e porosidade, além do que, ao serem quebradas, evidenciam faces de rupturas lisas e aspecto prismático.

Controle

A melhor forma de controlar a compactação do solo é através do uso de sistemas de rotação de culturas envolvendo plantas caracterizadas por uma elevada produção de fitomassa e por raízes vigorosas e profundas.
Os resíduos produzidos por essas espécies aumentam o teor de matéria orgânica do solo, o que diminuiu a compactação do solo. As raízes dessas plantas são capazes de crescer através de camadas compactadas, gerando bioporos que favorecem a infiltração de água e aeração, além de se constituírem em caminhos por meio dos quais as raízes da soja, menos agressivas, podem crescer.
Entre as espécies que podem ser utilizadas para esse fim, destacam-se o guandu, as crotalárias, a aveia preta, o nabo forrageiro, o consórcio aveia preta + nabo forrageiro, o milheto e forrageiras tropicais, como as braquiárias. O uso de máquinas mais leves e com maior área de contato rodado-solo (rodas mais largas, rodados duplos), trafegando somente quando o solo estiver friável ou mais seco, auxiliam na prevenção da compactação.
Na ausência de rotação de culturas ou se a mesma não resolver o problema, existem, com restrições, alternativas mecânicas.  A primeira delas corresponde à utilização de semeadoras dotadas de facões estreitos próximos aos discos de corte, que fazem a descompactação do solo na linha de semeadura, permitindo a passagem das raízes.
A outra alternativa envolve a escarificação, a qual deve ser realizada com o solo na consistência friável e, preferencialmente, com equipamentos dotados de rolo destorroador, visando eliminar a necessidade de gradagens de nivelamento. Essa operação deve ser feita após a colheita da soja e antes da semeadura do trigo, da aveia ou de outra espécie que apresente rusticidade para germinar.
A escarificação não elimina as causas da compactação, apenas os sintomas. Caso o manejo do SPD não for melhorado, os efeitos das escarificação desaparecem em um ano ou menos. Portanto, a escarificação é uma maneira de corrigir fisicamente o solo na transição do preparo convencional ou plantio direto “parcial” a um SPD de qualidade, e não como uma prática a ser executada regularmente.


Fonte: Mais Soja

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